Stablecoins transitam da especulação para infraestrutura de pagamentos
Darius Baruo 24 de abr de 2026 14:08
As Stablecoins estão a evoluir para infraestrutura financeira central, com um volume de 4,5 biliões de dólares no primeiro trimestre de 2026 e uso crescente em pagamentos locais e comércio.
As Stablecoins já não são apenas ferramentas para traders ou ativos especulativos. Novos dados sugerem que estão a evoluir rapidamente para uma infraestrutura de pagamentos fundamental, impulsionada pela clareza regulatória e pela mudança de casos de uso.
De acordo com a análise da a16z, o volume global de Stablecoins atingiu 4,5 biliões de dólares no primeiro trimestre de 2026, registando um crescimento significativo após a introdução de quadros regulatórios como a Lei GENIUS dos EUA e a MiCA europeia. A clareza regulatória não só incentivou a adoção institucional, como também remodelou os mercados. Por exemplo, após a implementação da MiCA, as Stablecoins não denominadas em USD dispararam, com volumes mensais a estabilizarem entre 15 e 25 mil milhões de dólares — um aumento face aos níveis negligenciáveis anteriores à entrada em vigor das regras.
No que diz respeito à utilização, as transações de Stablecoin de consumidor para empresa (C2B) cresceram 128% em termos homólogos em 2025, atingindo 284,6 milhões de transações. Os cartões de pagamento suportados por Stablecoins, apoiados por plataformas como a Etherfi Cash e a Wallbit, viram os depósitos de garantia subir para mais de 300 milhões de dólares por mês no início de 2026. Isto destaca uma tendência crescente de adoção pelo comércio convencional.
A velocidade das Stablecoins — que mede a frequência com que cada unidade circula — também duplicou desde o início de 2024, passando de 2,6x para 6x. Isto indica que a procura transacional crescente está a superar as novas emissões, sugerindo que as Stablecoins são cada vez mais utilizadas como meio de troca em vez de reserva de valor.
A análise por segmento revela que entre 350 e 550 mil milhões de dólares de pagamentos em Stablecoin no ano passado tiveram origem em utilizações não relacionadas com trading, com os pagamentos entre empresas (B2B) a dominar em volume. No entanto, os pagamentos diretos entre consumidores (C2C) e os pagamentos a comerciantes também estão a expandir-se rapidamente.
Geograficamente, dois terços dos pagamentos em Stablecoin têm origem na Ásia, liderados por Singapura, Hong Kong e Japão. A América do Norte representa um quarto, enquanto a Europa representa 13%. Os mercados emergentes como o Brasil são também notáveis, onde a integração com sistemas locais como o PIX impulsionou o volume da Stablecoin lastreada no real brasileiro (BRLA) para 400 milhões de dólares por mês no início de 2026.
É interessante notar que a quota das transações transfronteiriças de Stablecoin está a diminuir. As transferências intrapaís, que representavam metade do volume de pagamentos no início de 2024, representam agora quase três quartos. Esta mudança sugere que as Stablecoins estão a tornar-se instrumentos de pagamento locais que operam em redes globais.
Embora as Stablecoins continuem a ser dominadas por variantes lastreadas no USD, as opções não denominadas em USD, como tokens lastreados no euro e no real brasileiro, estão a ganhar terreno. O panorama em evolução aponta para a maturação das Stablecoins num sistema de pagamentos versátil, global mas localmente relevante.
À medida que este ecossistema se desenvolve, os participantes do mercado devem estar atentos a novos movimentos regulatórios e inovações na tecnologia das Stablecoins, que poderão alargar a adoção e aprofundar a integração nos sistemas financeiros do quotidiano.
Fonte da imagem: Shutterstock- stablecoins
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