O jornal favorito do presidente Donald Trump acaba de atacar a família Trump, acusando os seus filhos de corrupção desenfreada desde o seu regresso à Casa Branca. Num editorial do New York Post, os editores do jornal declaram: "Foi mau quando os Biden o fizeram, e é igualmente mau quando os Trump o fazem."
O Post está particularmente indignado com uma nova reportagem do New York Times, que revelou que Donald Jr. e Eric Trump, em conluio com os filhos do secretário do Comércio Howard Lutnick, Kyle e Brandon, estão envolvidos num esquema massivo para desviar lucros de um acordo de mineração de mil milhões de dólares celebrado entre a administração Trump e o Cazaquistão.
"Cheira muito mal", escreveu o Post. "Se uma família presidencial a enriquecer à custa de obscuras empresas de recursos na antiga União Soviética soa familiar, talvez seja porque a lucrativa ligação de Hunter Biden à Burisma — uma empresa ucraniana de gás — foi um grande escândalo nas eleições de 2020 e além."
Como o Daily Beast explica, "Os republicanos, e a família Trump em particular, passaram anos a tentar retratar Joe Biden como o chefe de um grupo de crime organizado, com o seu filho Hunter como o 'bagman' que supostamente lucrou com o nome da família no estrangeiro e repassou uma parte ao pai. As investigações dos legisladores republicanos na Câmara não encontraram qualquer prova de que o Biden mais velho tivesse lucrado com os negócios estrangeiros do filho. Hunter Biden acabou por se declarar culpado de infrações fiscais e foi condenado por acusações separadas relacionadas com armas de fogo, enquanto as alegações de tráfico de influências estrangeiras naufragaram e nunca chegaram a tribunal."
O presidente Joe Biden perdoou Hunter nos últimos dias da sua administração, explicando que estava preocupado com o facto de a administração Trump entrante o visar. Os republicanos continuaram a caracterizar os Biden como criminosos que escaparam à justiça.
O Post expôs a hipocrisia de forma clara, escrevendo: "Os rapazes Lutnick e Trump têm andado a chapinhar na lama desde que os seus pais chegaram ao poder há 18 meses. Lucraram bastante com negócios de criptomoedas enquanto o governo controlado pelos seus pais definia a política cripto."
De acordo com o Daily Beast, porém, o Post ainda "subvalorizou a ironia. O esquema da família Trump começou ainda antes de o presidente retomar a Casa Branca em janeiro passado, quando uma entidade ligada aos Emirados Árabes Unidos adquiriu uma participação de 49 por cento na World Liberty Financial, a empresa cripto de Eric e Donald Trump Jr., que utilizou para canalizar 187 milhões de dólares para interesses da família Trump e mais 31 milhões de dólares para entidades ligadas ao Enviado Especial do presidente, Steve Witkoff. Esse acordo estabeleceu um modelo que desde então permitiu à primeira família arrecadar um estimado de 2,3 mil milhões de dólares apenas em ativos digitais, de acordo com uma análise da Reuters este mês."
O Post encerrou o seu editorial com um aviso a Trump, notando que os democratas estão atualmente a intensificar a pressão para investigar os negócios da sua família. "Se conquistarem a Câmara nas eleições intercalares, estas audições certamente virão", escreveu o Post. "Seria conveniente para a administração Trump, e para a nação como um todo, que o presidente se antecipasse ao escândalo crescente, agisse de forma transparente e resolvesse toda a confusão antes que esta afunde os seus dois últimos anos no cargo — e defina o seu legado."
