O vice-presidente da República e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin (PSB), afirmou que o acordo entre Mercosul e UE (União Europeia) representa “o maior acordo entre blocos do mundo” e um “exemplo para o mundo” em um momento de instabilidade política, conflitos armados e avanço do protecionismo global. A declaração foi feita durante entrevista ao programa Bom Dia, Ministro, do CanalGov, nesta 5ª feira (15.jan.2026).
“Em um momento de instabilidade política, de geopolítica com guerras em vários lugares, de protecionismo exacerbado, você dá um exemplo que é possível, através do diálogo e da negociação, fortalecer o multilateralismo e ter livre comércio. Então é um exemplo para o mundo, eu acho que extrapola até Mercosul e União Europeia e é uma mensagem muito positiva para o comércio internacional”, disse.
Segundo Alckmin, o tratado envolve um mercado de cerca de 720 milhões de pessoas e movimenta aproximadamente US$ 22 trilhões. Do lado sul-americano, participam Brasil, Argentina, Paraguai, Uruguai e Bolívia, que está em processo de adesão ao Mercosul. Já a União Europeia reúne 27 países, descritos por ele como “os mais ricos do mundo”. Para o ministro, o acordo amplia o comércio, estimula investimentos recíprocos e traz ganhos diretos à sociedade, com produtos mais baratos e de melhor qualidade.
“O comércio exterior hoje é emprego na veia”, disse. Alckmin afirmou que empresas sem acesso ao mercado internacional podem não sobreviver só com a demanda interna, citando o setor aeronáutico como exemplo. Ele destacou a Embraer como caso emblemático de indústria que alcançou escala global por meio das exportações. Na avaliação do ministro, o acordo fortalece o agronegócio, a indústria e os serviços, além de ampliar investimentos europeus no Brasil e brasileiros na Europa.
“Isso significa comércio, vamos vender mais para eles, zerar a tarifa, então tem livre comércio, mas livre comércio com regras. Também vamos comprar mais deles. Isso quem ganha é a sociedade”, analisou.
No caso do agro, Alckmin afirmou que o Brasil poderá exportar “quase tudo” para o mercado europeu. Ele lembrou que resistências anteriores, sobretudo na França, estavam ligadas ao receio da competitividade da agropecuária brasileira. Ainda assim, ressaltou que a UE já é o 2º maior parceiro comercial do Brasil e o segundo principal destino tanto das exportações do agronegócio quanto da indústria nacional.
O acordo, segundo o ministro, deve ser assinado no sábado, no Paraguai, que exerce a presidência rotativa do Mercosul. Alckmin atribuiu o avanço à atuação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), destacando sua “liderança e perseverança” em um processo negociado há 25 anos. Dos 27 países europeus, 21 votaram a favor do acordo, houve 1 abstenção e 5 votos contrários. “Muito difícil você ter unanimidade”, afirmou. Um dos países com mais contrariedade é a França, que contou com manifestações de agricultores nos últimos meses.
Após a assinatura, o texto ainda precisará ser aprovado pelo Parlamento Europeu e pelo Congresso brasileiro, por meio da internalização em lei. Alckmin disse esperar que esse processo seja concluído ainda no 1º semestre, com a entrada em vigor no 2º semestre. Para ele, o Brasil precisa ampliar sua inserção internacional, já que responde por cerca de 2% do PIB (Produto Interno Bruto) global, enquanto “98% do comércio está fora do Brasil”.
O ministro afirmou que o Mercosul havia passado anos com poucos avanços. O último acordo relevante, segundo ele, datava de 2011, com a Palestina. Desde o início do atual mandato, citou os acordos com Singapura, com a Efta (formada por Suíça, Noruega, Liechtenstein e Islândia), -que descreveu como “os 4 países com maior renda per capita do mundo”– e as negociações em curso com Emirados Árabes Unidos, Canadá, Índia e México.

