O mercado de stablecoin transformou-se fundamentalmente de uma experiência cripto-nativa numa infraestrutura crítica para pagamentos e liquidação B2B.
Segundo o relatório de 2025 da Binance Research, esta evolução forçará as corretoras tradicionais e empresas fintech a reconsiderar a forma como abordam os pagamentos digitais.
Os Números Contam a História
Em 2025, a capitalização de mercado das stablecoins aumentou quase 50% para superar os 305 mil milhões de dólares, enquanto o volume de negociação diário atingiu 3,54 biliões de dólares. O relatório revela que as stablecoins agora alcançam uma velocidade monetária anual de aproximadamente 110x, o que significa que o dólar médio de stablecoin circula uma vez a cada 3,3 dias.
Estes números são comparáveis ao volume reportado pela Visa de 1,34 biliões de dólares, indicando um elevado nível de utilização de stablecoin para transações transfronteiriças.
Seis novas stablecoins ultrapassaram o limiar de capitalização de mercado de mil milhões de dólares em 2025. Estas incluem a BUIDL da BlackRock, a PYUSD da PayPal e a RLUSD da Ripple. Cada uma visa casos de uso B2B distintos, desde liquidação institucional até remessas transfronteiriças.
A Clareza Regulatória Muda o Jogo
A aprovação da Lei GENIUS dos EUA em julho de 2025 estabeleceu o primeiro quadro federal para supervisão de stablecoins, exigindo reservas com cobertura de 1:1 e auditorias mensais. A implementação do MiCA na Europa criou normas semelhantes, legitimando efetivamente as stablecoins como instrumentos financeiros regulamentados em vez de ativos especulativos.
Para corretoras e processadores de pagamentos, esta clareza regulatória elimina uma grande barreira à adoção institucional. Sob as novas regras, os bancos podem agora integrar sistemas de stablecoin, enquanto as plataformas fintech ganham uma base para liquidação transfronteiriça com custos operacionais mais baixos do que os métodos tradicionais.
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Perspetivas para 2026: Adoção Generalizada pelos Consumidores
Segundo a pesquisa, 2026 marcará a transição das stablecoins para as finanças quotidianas dos consumidores através de aplicações de neobancos e carteiras digitais. O panorama competitivo está a intensificar-se. A Stripe e a PayPal estão a construir infraestrutura de stablecoin aproveitando as suas redes de distribuição, enquanto plataformas cripto-nativas como MetaMask (30 milhões de utilizadores) e Phantom (15-17 milhões de utilizadores) estão a evoluir para neobancos completos.
O relatório projeta um tamanho total do mercado de stablecoin de 1,9 biliões de dólares até 2030, representando uma taxa de crescimento anual composta de aproximadamente 58%. Para corretoras e empresas fintech, a integração de stablecoins já não é opcional—é infraestrutura fundamental para competir na economia digital de amanhã.


