Isto não deve terminar com a revelação dos jornalistas, mas sim com a ação dos cidadãosIsto não deve terminar com a revelação dos jornalistas, mas sim com a ação dos cidadãos

[EDITORIAL] Instituição e media mais confiáveis. Que mudança de mentalidade é esta?

2026/01/19 09:44

De acordo com um inquérito da Pulse Asia, a maioria dos filipinos considera os meios de comunicação como a instituição mais confiável para responder à corrupção no controlo de cheias.

Controlo de Cheias, Meios de Comunicação, Corrupção, AnimatED

Isto contrasta com os inquéritos do final do mandato de Rodrigo Duterte há apenas quatro anos, que indicavam que a confiança nos meios de comunicação era muito baixa. É evidente que houve uma mudança de mentalidade.

O que aconteceu entre 2016 e 2022, além de ter sido o auge do poder de Duterte? Foi o período mais intenso de desinformação contra os jornalistas, onde os meios de comunicação foram rotulados de "presstitutes" e "tendenciosos".

Apesar da "avalanche de mentiras" que atacou a dignidade e a feminilidade dos jornalistas, foram os meios de comunicação que primeiro analisaram cientificamente e declararam que a internet estava a ser usada como arma e que estava a ocorrer uma guerra de corações e mentes. (LEIA. Parte 1: Guerra de propaganda: A internet como arma Parte 2: Como os algoritmos do Facebook impactam a democracia Parte 3: Contas falsas, realidade fabricada nas redes sociais)

Avançando para 2025, a verdade também veio à tona. A verdade acabará por se revelar, como se diz.  Algumas (não todas) das mentiras já foram desmascaradas aos olhos do público. E face à flagrante corrupção no controlo de cheias, o povo volta a apoiar-se não apenas nos repórteres, mas também nos analistas.

De onde vem essa confiança? Vem da corajosa e factual abordagem de histórias complexas sobre corrupção, desinformação, manobras políticas e desastres.

Lembremos também que essa confiança foi conquistada em plena popularidade dos influenciadores — os novos queridinhos do apocalíptico cenário de desinformação.

Mas os jornalistas têm a capacidade de investigar e aprofundar as questões.

São eles que investigam corajosamente sem medo ou favoritismo. 

São eles que enfrentam processos judiciais e assédio. 

São eles que fazem o seguimento de denúncias e pistas enviadas pelos leitores e espectadores.

Os jornalistas têm coragem e formação, e não têm interesses partidários ou políticos.

Segundo Chay Hofileña, Chefe de Investigação do Rappler, que escreveu vários artigos sobre corrupção nos meios de comunicação, "Na sua forma mais pura e genuína, os meios de comunicação a fazer o seu trabalho obrigatório no interesse do público é serviço público."

Mas atenção — tudo isto não deve terminar apenas com as revelações dos jornalistas. Deve terminar com a reforma do sistema de atribuição e despesa do dinheiro público, com o encarceramento dos corruptos e com a mudança do sistema de clientelismo. Deve resultar na ação dos cidadãos.

Maria Ressa, laureada com o Prémio Nobel da Paz, afirma: "O carácter é construído nas pequenas decisões que tomamos."

Por isso, comece pelo pequeno: escreva ao deputado ou senador e manifeste a sua deceção e exija ação. Organize discussões na escola ou na comunidade.

Ressa acrescenta: "2026 exigirá grande — ainda maior — carácter. Ou perdemos tudo." – Rappler.com

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