Sudoku Unsplash Um homem de 25 anos desenvolveu um tipo raro de epilepsia após sobreviver a uma avalanche durante uma viagem de esqui nos Alpes, em novembr Sudoku Unsplash Um homem de 25 anos desenvolveu um tipo raro de epilepsia após sobreviver a uma avalanche durante uma viagem de esqui nos Alpes, em novembr

Sobrevivente de avalanche passa a ter epilepsia rara provocada por Sudoku; caso vira estudo na Alemanha

2026/01/19 23:58
Sudoku — Foto: Unsplash Sudoku — Foto: Unsplash

Um homem de 25 anos desenvolveu um tipo raro de epilepsia após sobreviver a uma avalanche durante uma viagem de esqui nos Alpes, em novembro de 2008. Soterrado por cerca de 15 minutos, ele sofreu hipóxia — a redução crítica de oxigênio nos tecidos — antes de ser resgatado por um amigo, que realizou manobras de reanimação cardiopulmonar. O jovem foi encaminhado a um hospital na Alemanha, onde recebeu atendimento especializado.

Nos dias seguintes ao acidente, surgiram movimentos involuntários nas pernas durante a caminhada e na boca ao falar, sinais associados a danos cerebrais provocados pela falta de oxigênio. Após a estabilização clínica, o paciente foi transferido para uma clínica de reabilitação para dar continuidade ao tratamento.

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Crises desencadeadas por estímulos visuais

Durante o período de reabilitação, o paciente retomou o hábito de resolver quebra-cabeças de Sudoku, atividade que apreciava antes do acidente. Foi nesse contexto que apresentou espasmos repetidos no braço esquerdo, que cessaram imediatamente ao interromper o jogo. O padrão chamou a atenção da equipe médica, liderada pelo neurologista Berend Feddersen, da Universidade de Munique, e motivou uma investigação detalhada.

De acordo com um relatório citado pela Live Science, publicado recentemente, exames de eletroencefalograma (EEG) identificaram atividade epiléptica na região centroparietal direita do cérebro, área relacionada ao controle motor do braço esquerdo. Uma ressonância magnética convencional não revelou lesões estruturais evidentes, o que levou os médicos a recorrer a métodos mais avançados.

Exames de ressonância magnética funcional (RMf), realizados enquanto o paciente resolvia o Sudoku, mostraram ativação cerebral ampla, com intensidade acentuada no córtex centroparietal. Já imagens ponderadas por difusão indicaram redução de fibras inibitórias nessa região, o que favorecia uma hiperatividade neural capaz de desencadear convulsões. Segundo o laudo médico, a hipóxia sofrida durante a avalanche foi apontada como a causa mais provável dessa vulnerabilidade.

O diagnóstico final foi de epilepsia reflexa, condição em que crises são provocadas por estímulos específicos. No caso, tarefas que exigiam processamento visual e espacial complexo, como a visualização tridimensional envolvida no Sudoku, atuavam como gatilho. O paciente não apresentou convulsões ao ler, escrever ou fazer cálculos simples, mas atividades visuais semelhantes, como ordenar números aleatoriamente, também induziam os episódios.

Tratado com medicação antiepiléptica, o jovem permaneceu sem crises por mais de cinco anos, segundo a Live Science. A fisioterapia reduziu os movimentos involuntários residuais, e, como medida preventiva, ele passou a evitar jogos e tarefas capazes de desencadear convulsões.

Embora cerca de 3,8% da população desenvolva epilepsia ao longo da vida, apenas entre 4% e 7% dos pacientes apresentam epilepsia reflexa. A literatura médica já descreveu casos associados a jogos como Zipai, na China, e Mahjong, em Taiwan, mas não havia registros anteriores de crises provocadas especificamente por quebra-cabeças de Sudoku.

Para os especialistas, o caso ilustra como danos cerebrais causados pela falta de oxigênio podem alterar circuitos neurais e transformar atividades cotidianas em potenciais desencadeadores de crises. Também reforça a importância do atendimento médico imediato em situações de hipóxia e do acompanhamento neurológico prolongado, fundamentais para a adaptação da rotina e a qualidade de vida dos pacientes.

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