A Mastercard Brasil tomou o controle de quase um terço do capital da Westwing (WEST3) após executar uma garantia financeira, segundo fato relevante ao mercado nesta terça-feira (20).
A execução das garantias expõe as dificuldades da plataforma digital de venda de móveis e decoração, que teve suas ações oferecidas como garantia de uma dívida de valor não divulgado e não conseguiu honrar o compromisso.
A gigante global de pagamentos já avisou que não pretende ficar com os papéis e planeja vendê-los.
A Westwing, que opera um modelo de comércio eletrônico que combina campanhas promocionais temáticas com curadoria de produtos para casa, é controlada desde 2023 pela WNT Gestora de Recursos, de Valério Marega Júnior, com uma fatia de 39,3%, segundo informações que constam da B3 de 13 de janeiro de 2026.
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Investidor egresso das mesas de commodities agrícolas como café, boi, soja e milho, Marega Junior é filho de fazendeiros de Uberaba, na região do Triângulo Mineiro.
Marega e a WNT se especializaram na compra de ações de empresas em dificuldades - os chamados distressed assets ou ativos problemáticos -, em parceria eventual com duas figuras mais conhecidas do mercado: o veterano investidor Nelson Tanure, acionista de referência da Prio (PRIO3), posição já zerada, da Gafisa (GFSA3) e da Alliança (AALR3), e o Banco Master, do também investidor Daniel Vorcaro.
A Westwing vende móveis, itens de decoração, utensílios domésticos e têxteis por meio de sua plataforma digital e aposta em ofertas por tempo limitado para atrair clientes.
Fundada em 2011 como subsidiária de uma operação alemã, a empresa brasileira se tornou independente em 2018 e abriu capital três anos depois, sob a liderança do empreendedor e executivo Andreas Mutschler.
A execução transferiu cerca de 3,5 milhões de ações para a Mastercard, equivalente a quase um terço do capital social da varejista, segundo fato relevante.
A empresa de pagamentos informou que vai vender a participação seguindo as regras do mercado de capitais e que não votará em assembleias nem participará de decisões corporativas durante o processo.
O documento não esclarece pontos centrais da operação. Não há informação sobre quais acionistas deram as ações como garantia, qual era o valor da dívida nem a natureza do compromisso financeiro que levou à execução.
A Mastercard disse apenas que não possui outros investimentos ou derivativos vinculados à Westwing.
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A estrutura acionária da companhia passa por uma reconfiguração.
Antes da execução da dívida, a WNT Gestora de Recursos era a maior acionista da companhia, seguida pelo fundo OIKOS Fundo de Investimento em Participações Multiestratégia, segundo dados da B3 de meados de janeiro.
A Trustee Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários também figurava entre os principais investidores.
Os números da Westwing mostram uma situação financeira delicada.
A varejista registrou um prejuízo de R$ 9,5 milhões nos nove meses encerrados em setembro de 2025, com receita de R$ 105 milhões, queda de 14,9% em relação ao mesmo período de 2024, segundo dados não consolidados da B3. O patrimônio líquido também caiu no período.
A trajetória na bolsa reflete essas dificuldades.
A Westwing abriu capital em fevereiro de 2021, em momento favorável para ofertas públicas iniciais no mercado brasileiro. Tinha valor de mercado próximo a R$ 1,5 bilhão. Desde então, as ações acumulam perdas expressivas, a tal ponto que o market cap atual é da ordem de R$ 60 milhões.
A Mastercard informou em nota que detém garantias de instituições emissoras de cartões, como ações, para gestão de risco. A medida visa assegurar o cumprimento de obrigações de pagamento em caso de inadimplemento.
“Essas garantias asseguram o cumprimento de obrigações de pagamento em caso de inadimplemento”, explicou a administradora de cartões, sem detalhar o caso específico da Westwing.
A gestão de risco levou a administradora de cartões a tomar outra medida. Mais cedo, a bandeira confirmou a suspensão de transações com cartões do Will Bank, vinculado ao grupo do Banco Master, fundado por Vorcaro, alvo de intervenção pelo Banco Central em novembro. A medida visa evitar acúmulo de dívidas não liquidadas.
Procurada pela Bloomberg Línea, a Westwing e o Will Bank não comentaram imediatamente.
- Texto atualizado às 21h50 com inclusão do conteúdo da nota da Mastercard e decisão sobre Will Bank
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