O príncipe herdeiro da Arábia Saudita, Mohammed bin Salman, visitou a Casa Branca em novembro BBC News fonte EPAO príncipe herdeiro da Arábia Saudita, Moha O príncipe herdeiro da Arábia Saudita, Mohammed bin Salman, visitou a Casa Branca em novembro BBC News fonte EPAO príncipe herdeiro da Arábia Saudita, Moha

Enquanto Brasil fica em silêncio, mais sete países aceitam entrar no Conselho de Gaza de Trump

2026/01/22 19:27
O príncipe herdeiro da Arábia Saudita, Mohammed bin Salman, visitou a Casa Branca em novembro — Foto: BBC News fonte O príncipe herdeiro da Arábia Saudita, Mohammed bin Salman, visitou a Casa Branca em novembro — Foto: BBC News fonte

Sete países, entre eles Arábia Saudita, Turquia e Egito, disseram que vão aderir ao Conselho da Paz do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, segundo uma declaração conjunta.

Eles se juntarão a Israel, que também confirmou publicamente sua participação (em comunicado separado), e outras nações que se comprometeram anteriormente com o convite. Segundo a agência Reuters, até o momento cerca de 35 líderes mundiais afirmaram publicamente que integrarão o comitê.

Nesta quinta-feira (22/01), Trump lançou oficialmente o conselho durante uma cerimônia no Fórum Econômico Mundial em Davos, na Suíça.

No evento, o presidente americano afirmou que "muitas coisas boas estão acontecendo", e que as ameaças à Europa, à América e ao Oriente Médio "estão realmente se acalmando".

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"Há apenas um ano, o mundo estava em chamas", disse durante a cerimônia de assinatura, que contou com a presença de alguns dos membros fundadores do conselho, entre eles o presidente argentino, Javier Milei, e o primeiro-ministro húngaro, Viktor Orbán.

Na noite de quarta-feira (21/01), Trump havia afirmado que o presidente russo, Vladimir Putin, também havia concordado em integrar o conselho, mas Putin disse que o país ainda está analisando o convite.

Inicialmente, acreditava-se que o conselho teria como objetivo ajudar a pôr fim à guerra de dois anos entre Israel e o Hamas e supervisionar a reconstrução em Gaza. No entanto, o estatuto proposto não menciona o território palestino e parece ter sido concebido para substituir funções da Organização das Nações Unidas (ONU).

A Arábia Saudita, porém, afirmou que o grupo de países de maioria muçulmana, Arábia Saudita, Turquia, Egito, Jordânia, Indonésia, Paquistão e Catar, endossou o objetivo de consolidar um cessar-fogo permanente em Gaza, apoiar a reconstrução e avançar no que descrevem como uma "paz justa e duradoura".

No Fórum Econômico Mundial, em Davos, Trump disse na quarta-feira (21/01) a repórteres que Putin havia aceitado o convite. "Ele foi convidado, aceitou. Muitas pessoas aceitaram", afirmou.

Putin respondeu rapidamente, dizendo que o convite estava sendo avaliado, segundo a agência de notícias Reuters. Ele afirmou que a Rússia estava preparada para fornecer US$ 1 bilhão (cerca de R$ 5,1 bilhões) a partir de ativos russos congelados e que via o conselho como relevante, sobretudo para o Oriente Médio.

Não está claro quantos países foram convidados a integrar o novo órgão criado por Trump — Canadá e Reino Unido estão entre eles, mas ainda não se pronunciaram publicamente. Emirados Árabes Unidos, Bahrein, Argentina, Albânia, Armênia, Azerbaijão, Belarus, Hungria, Cazaquistão, Marrocos e Vietnã já aderiram.

Uzbequistão, Paquistão, Indonésia, Kosovo e Paraguai também teriam aceitado o convite, segundo a Reuters.

Ainda não há informações se Lula aceitará participar da entidade representando o Brasil. Trump disse a jornalistas que o presidente brasileiro teria um "grande papel" na entidade. "Eu gosto dele", elogiou Trump em entrevista a jornalistas na Casa Branca.

Na quarta-feira (21/01), o Vaticano também confirmou que o papa Leão 14 recebeu um convite. Falando a repórteres, o secretário de Estado do Vaticano, cardeal Pietro Parolin, disse que o pontífice precisaria de tempo para decidir se participará.

Já o primeiro-ministro da Eslovênia, Robert Golob, afirmou que recusou o convite por considerar que o órgão "interfere perigosamente na ordem internacional mais ampla".

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Um documento vazado afirma que o estatuto do Conselho da Paz entrará em vigor assim que três Estados concordarem formalmente em se vincular a ele, com mandatos renováveis de três anos para os países-membros e assentos permanentes disponíveis para aqueles que contribuírem com US$ 1 bilhão (£ 740 milhões).

O estatuto define o órgão como uma organização internacional com mandato para exercer funções de construção da paz sob o direito internacional, com Trump atuando como presidente e, separadamente, como representante dos EUA, além de deter autoridade para nomear membros do conselho executivo e criar ou dissolver órgãos subsidiários.

Na sexta-feira passada (16/01), a Casa Branca nomeou sete integrantes do Conselho Executivo fundador, entre eles o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, o enviado para o Oriente Médio, Steve Witkoff, o genro de Trump, Jared Kushner, e o ex-primeiro-ministro do Reino Unido, Tony Blair.

Nickolay Mladenov, político búlgaro e ex-enviado da ONU para o Oriente Médio, foi nomeado representante do Conselho de Paz em Gaza na segunda fase do plano, que inclui reconstrução e desmilitarização, com o órgão autorizado por uma resolução do Conselho de Segurança da ONU em vigor até o fim de 2027.

No sábado (17/01), o gabinete de Netanyahu afirmou que a composição do Conselho Executivo para Gaza "não foi coordenada com Israel e contraria sua política".

A imprensa israelense disse que a decisão de incluir representantes da Turquia e do Catar — países que, junto com o Egito e os Estados Unidos, ajudaram a mediar o cessar-fogo que entrou em vigor em outubro — ocorreu "à revelia de Israel".

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Na primeira fase do plano de cessar-fogo, Hamas e Israel concordaram com a trégua, a troca de reféns israelenses vivos e mortos em Gaza por prisioneiros palestinos mantidos em prisões israelenses, uma retirada parcial das forças israelenses e o aumento significativo da entrada de ajuda humanitária.

Israel afirmou que só poderá avançar para a segunda fase depois que o Hamas entregar o corpo do último refém morto.

A segunda fase enfrenta grandes obstáculos: o Hamas já declarou que não abrirá mão de suas armas sem a criação de um Estado palestino independente, enquanto Israel não se comprometeu a se retirar totalmente de Gaza.

As condições humanitárias para os palestinos em Gaza continuam críticas, apesar do cessar-fogo e do aumento da ajuda — Foto: BBC News fonte As condições humanitárias para os palestinos em Gaza continuam críticas, apesar do cessar-fogo e do aumento da ajuda — Foto: BBC News fonte

O cessar-fogo também é frágil. Mais de 460 palestinos foram mortos em ataques israelenses desde que ele entrou em vigor, segundo o Ministério da Saúde de Gaza, controlado pelo Hamas, enquanto o Exército de Israel afirma que três de seus soldados foram mortos em ataques palestinos no mesmo período.

A guerra foi desencadeada pelo ataque liderado pelo Hamas ao sul de Israel em 7 de outubro de 2023, no qual cerca de 1.200 pessoas morreram e outras 251 foram feitas reféns.

Israel respondeu ao ataque lançando uma campanha militar em Gaza, durante a qual mais de 71.550 pessoas foram mortas, de acordo com o Ministério da Saúde do território.

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