O Ibovespa já renovou o seu recorde em sete pregões em 2026, alcançando os 183 mil pontos nesta terça-feira (27). Apesar da força do fluxo estrangeiro, o principal índice brasileiro não sustentou o patamar na última sessão, que encerrou em alta de 1,79%, aos 181.919 pontos.
Nesta manhã, o podcast Café da Manhã, da Folha de S.Paulo, recebeu Marcos de Vasconcellos, CEO do Monitor do Mercado, para discutir o desempenho recente da Bolsa brasileira e as perspectivas para 2026.
A conversa abordou o funcionamento do Ibovespa, o papel do investidor estrangeiro e os efeitos dos juros e do cenário político sobre o mercado.
Na avaliação de Vasconcellos, a principal explicação para a sequência de recordes da Bolsa brasileira é a entrada de investidores estrangeiros. Apesar de representar menos de 1% do valor total das Bolsas globais, o mercado brasileiro reage de forma intensa a movimentos de capital externo.
Atualmente, investidores estrangeiros respondem por mais de metade do volume negociado na B3 e detêm cerca de 40% dos ativos. Assim, decisões de alocação feitas fora do país têm impacto direto sobre os preços das ações e sobre o Ibovespa.
Quando grandes fundos reduzem posições em mercados desenvolvidos e direcionam parte dos recursos para o Brasil, o efeito é amplificado. O aumento da demanda por ações eleva os preços e impulsiona o índice.
Durante o podcast, Vasconcellos explicou que o capital estrangeiro não se distribui de forma homogênea. Em 2025, o setor de utilities, que reúne empresas de energia elétrica e serviços públicos, teve desempenho superior ao do Ibovespa.
Enquanto o índice avançou cerca de 30% no período, ações desse segmento subiram mais de 60%. A explicação está na previsibilidade dos contratos de concessão, que oferecem maior visibilidade de receitas no longo prazo.
Esse movimento ocorre em um contexto de maior incerteza nos Estados Unidos, o que leva investidores a buscar ativos considerados mais previsíveis dentro de mercados emergentes.
A conversa abordou ainda a relação entre o desempenho do mercado acionário e o avanço das concessões de infraestrutura no Brasil. Para Vasconcellos, contratos de longo prazo em setores como energia e transportes aumentam a previsibilidade e atraem capital estrangeiro.
Sobre o ciclo eleitoral, ele lembrou que, historicamente, o Ibovespa tende a recuar nos meses que antecedem eleições presidenciais e a se recuperar após a posse, independentemente do vencedor. A redução da incerteza política costuma favorecer o retorno do capital externo.
Na avaliação apresentada no podcast, o desempenho da Bolsa depende menos de eventos pontuais e mais da combinação entre fluxo estrangeiro, juros, inflação e clareza sobre o rumo da política econômica.
Confira a entrevista completa:
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