TGAR11 sofre forte queda na bolsa; veja a explicação da gestora
As cotas do TG Ativo Real (TGAR11) recuaram cerca de 11,70% nesta terça-feira (27), após a administradora revisar a projeção de rendimentos para uma faixa entre R$ 0,70 e R$ 1,00 por cota. A mudança interrompe a previsibilidade recente e sinaliza ajuste ao ambiente de crédito mais restritivo, o que pressionou as cotações no pregão.
Desde fevereiro de 2025, o fundo vinha distribuindo R$ 1,00 por cota ao mês. Essa consistência ajuda a explicar a reação negativa do mercado, que precifica menor fluxo de proventos no curto prazo. Para investidores focados em renda imediata, a revisão do guidance reduziu a atratividade relativa do papel.
Em fevereiro, o TGAR11 manteve o pagamento de R$ 1,00 por cota, resultando em dividend yield mensal de 1,08% e anualizado de 13,69%. No acumulado de 12 meses, foram R$ 12,00 por cota, com yield de 14,76%. A perspectiva de redução, ainda que moderada, levou a vendas táticas e realização de lucros por parte de cotistas de perfil mais tático.
Gestão esclarece que carteira do TGAR11 permanece saudável
Segundo a TG Core, a revisão não decorre de deterioração de ativos, mas de uma postura mais conservadora diante do cenário macroeconômico e de crédito, que tem retardado a conversão de valor em caixa. O fundo é um veículo de desenvolvimento imobiliário, diferente dos FIIs de renda, focando o ciclo completo dos projetos — do licenciamento à comercialização.
Essa estratégia busca retornos superiores no longo prazo, porém implica maior volatilidade no fluxo de caixa em momentos de desaceleração. Hoje, mais de 72% da carteira de equity está “performada”, com obras concluídas ou próximas do fim, reduzindo o risco de execução. O desafio está nas fases de vendas e recebimento dos recursos, impactadas pelos juros altos.
Com a taxa Selic em 15% ao ano, o crédito imobiliário encareceu e ficou mais seletivo, afetando a demanda e alongando prazos de repasse. A defasagem entre vendas contratadas e entrada efetiva de caixa adia os rendimentos distribuíveis. Além disso, o atraso no recebimento da venda do ativo Viel postergou uma entrada relevante de recursos.
TGAR11 adota estratégia de preservação de valor
Diante disso, a gestora alinhou a distribuição estritamente à geração de caixa atual, protegendo a saúde financeira das SPEs. O portfólio soma R$ 2,52 bilhões em patrimônio líquido, com R$ 2,03 bilhões em equity em 159 empreendimentos e mais de 82 mil unidades. Há estoque e VGV vendido a receber, que devem destravar com melhora do crédito e do ciclo.
Na visão da gestão do TGAR11, o momento requer disciplina e paciência. Com eventual queda de juros e melhora macro, a conversão de valor em caixa tende a acelerar, abrindo espaço para recuperação mais sólida dos rendimentos no médio e longo prazo.


