O mercado de criptomoedas vivencia um dos seus piores períodos de janeiro de 2026, com o Bitcoin atingindo sua mínima de nove meses em US$ 82.134, acumulando queda de 7,4% em apenas 24 horas. A criptomoeda mais valiosa do mundo encerra janeiro com desempenho negativo superior a 6%, marcando seu pior resultado para o primeiro mês do ano desde 2022.
A queda acentuada foi desencadeada principalmente pela nomeação de Kevin Warsh como novo presidente do Federal Reserve, anunciada pelo presidente Donald Trump. Warsh, conhecido crítico de longa data do afrouxamento quantitativo e defensor do controle rigoroso da inflação, é amplamente visto pelo mercado como negativo para Bitcoin no curto prazo, sinalizando uma postura mais conservadora na política monetária americana.
O Ethereum, segunda maior criptomoeda por capitalização de mercado, também registra quedas significativas. A moeda está sendo negociada em torno de US$ 2.700, com queda de 0,74% em 24 horas, embora alguns dados indiquem recuos mais acentuados de até 1,96% para US$ 2.739,78. No início desta sexta-feira (30 de janeiro), o Ethereum havia recuado mais de 6%.
O valor total de mercado das criptomoedas caiu 6,7%, resultando em liquidações massivas de US$ 1,68 bilhão em posições longas. Esse cenário reflete a aversão ao risco generalizada diante de incertezas econômicas crescentes nos Estados Unidos e tensões geopolíticas globais.
Além dos fatores macroeconômicos domésticos americanos, eventos geopolíticos internacionais contribuem significativamente para a pressão no mercado cripto. A captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro no início de janeiro elevou a volatilidade nos mercados emergentes e globais. Simultaneamente, declarações de Donald Trump sobre a possível compra da Groenlândia reacenderam disputas por recursos minerais no Ártico, tensionando relações entre EUA e Europa.
Tensões no Oriente Médio envolvendo o Irã e políticas comerciais americanas mais agressivas amplificam ainda mais os riscos sistêmicos, superando preocupações com simples correções bursáteis. Esse ambiente de incerteza geopolítica típico de “risk-off” favorece a busca por ativos de refúgio seguro, prejudicando criptomoedas que são consideradas ativos de risco.
A queda nos preços do Bitcoin coloca mineradores em situação crítica. Dados de Cambridge indicam que mineradores que pagam pelo menos US$ 0,10 por kWh de energia enfrentam prejuízos operacionais. Os custos de mineração variam significativamente por região: US$ 59.650 no Paraguai versus US$ 103.799 na Nova Zelândia.
Em resposta à pressão, empresas mineradoras dos EUA como Riot e Core Scientific estão migrando seus data centers para operações de inteligência artificial, buscando diversificar suas receitas e reduzir exposição ao mercado de Bitcoin. Simultaneamente, uma empresa mineradora líder anunciou o abandono da mineração de Bitcoin em favor da construção de tesoraria em Ethereum, sinalizando mudanças estratégicas no setor.
Apesar do cenário desafiador no curto prazo, analistas apontam perspectivas mais otimistas para o longo prazo. Projeções indicam que o Bitcoin pode alcançar US$ 160 mil em 2026, condicionado a estabilização das tensões geopolíticas e políticas monetárias mais previsíveis.
O Índice de Medo e Ganância caiu para 28, indicando zona de medo extremo, mas sem sinais de quebra estrutural do mercado. Analistas esperam um “início doloroso para fevereiro” até que a situação geopolítica se estabilize e o Federal Reserve sinalize maior clareza sobre sua trajetória de juros.
Em desenvolvimento positivo para o setor, o marco regulatório brasileiro entra plenamente em vigor em 2 de fevereiro de 2026. As resoluções do Banco Central exigem autorização prévia para prestadores de serviços, padrões formais de governança, controles internos robustos e requisitos específicos para stablecoins, definidas como “ativo virtual referenciado em moeda fiduciária”.
Nos EUA, avança o Digital Asset Market Clarity Act (Clarity Act), que define papéis da SEC e CFTC na supervisão de criptoativos. O GENIUS Act estabelece regras específicas sobre emissão, supervisão e reservas de stablecoins, permitindo circulação regular no mercado americano.
Associações como ABcripto e ABToken apoiam o marco regulatório brasileiro, mas criticam exigências prudenciais e tributárias, alertando para riscos de concentração de mercado e judicialização. Defendem diálogo contínuo com o setor e aprovação congressional para garantir competitividade.
Apesar da volatilidade atual, especialistas identificam três tendências principais que devem impulsionar o mercado cripto em 2026:
1. Estímulos Fiscais e Flexibilização Monetária: A postura “dovish” esperada do Federal Reserve, com juros baixos e políticas flexíveis, deve catalisar criptoativos sensíveis à liquidez e impulsionar demanda por soluções de finanças descentralizadas (DeFi).
2. Maior Previsibilidade Regulatória: Engajamento crescente de governos e instituições via marcos regulatórios claros e pilotos de implementação, além de diversificação de tesourarias corporativas para além de Bitcoin e Ethereum.
3. Integração com Finanças Tradicionais: Maior convergência entre finanças tradicionais e descentralizadas, com instituições financeiras ampliando exposição a criptoativos de forma estruturada.
O mercado de criptomoedas enfrenta um período de teste crítico. A nomeação de Kevin Warsh ao Federal Reserve sinaliza uma mudança na política monetária americana que pode manter pressão sobre ativos de risco no curto prazo. Simultaneamente, a resolução de tensões geopolíticas será fundamental para restaurar o apetite por risco.
Investidores e analistas monitoram atentamente os próximos níveis de suporte do Bitcoin, com atenção especial ao patamar de US$ 80.600. Uma quebra desse nível poderia desencadear novas liquidações, enquanto uma recuperação acima de US$ 86.124 (média móvel exponencial de 100 semanas) sinalizaria reversão da tendência de queda.
A entrada em vigor da regulação brasileira em 2 de fevereiro também será um marco importante, potencialmente atraindo mais instituições para o mercado cripto brasileiro e reduzindo incertezas regulatórias que têm afastado investidores institucionais.

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