A Tether registrou lucro líquido de US$ 10 bilhões em 2025, impulsionado por uma emissão massiva de US$ 50 bilhões em USDT ao longo do ano. O resultado transforma a emissora da maior stablecoin do mercado em uma das maiores detentoras privadas de dívida pública dos Estados Unidos no mundo.
Os ativos totais em reserva atingiram o recorde de US$ 193 bilhões, apoiados por exposição de US$ 141 bilhões em títulos do Tesouro americano. O montante coloca a Tether entre os principais credores globais do governo dos Estados Unidos, situação que gera tanto admiração de investidores quanto críticas de autoridades em Washington.
O lucro, que a Tether informa ser proveniente exclusivamente de seu negócio central de stablecoin, coincide com uma injeção massiva de US$ 50 bilhões de em liquidez no ecossistema cripto.
Essa emissão elevou o total de USDT em circulação para mais de 186 bilhões. Trata-se da segunda maior expansão anual em toda a trajetória da companhia ao longo da década.
Enquanto a Tether mantém um portfólio de US$ 20 bilhões em investimentos em setores como IA e biotecnologia, essas apostas de maior risco não foram responsáveis pelo bom resultado do ano. O lucro decorreu do ambiente de taxas de juros elevadas e prolongadas.
Enquanto isso, o balanço patrimonial da Tether já rivaliza com o de grandes países. Os ativos totais em reserva atingiram o recorde de 193 bilhões, apoiados por uma exposição expressiva de US$ 141 bilhões em títulos do Tesouro dos Estados Unidos (direta e indiretamente).
Esse valor coloca a Tether entre os principais credores globais do governo dos Estados Unidos, situação que traz tanto admiração de investidores quanto críticas de autoridades em Washington.
Esse crescimento vem acompanhado de aumento no risco sistêmico, já que a empresa ainda não passou por auditoria de uma das “Big Four” de contabilidade.
Por consequência, críticos seguem questionando a real liquidez dos seus US$ 17,4 bilhões em ouro e US$ 8,4 bilhões em Bitcoin em um cenário de aperto de mercado. Ainda assim, a companhia afirma manter mais de US$ 6,3 bilhões em reservas excedentes.
O resultado financeiro também está sendo ofuscado por crescentes desafios regulatórios. Na Europa, o USDT segue operando sem licença sob o ambiente das regras MiCA (Markets in Crypto-Assets).
De forma mais impactante, a aprovação do GENIUS Act nos Estados Unidos tornou o USDT “não qualificado” para uso doméstico.
Como resposta para proteger sua atuação no mercado americano, a Tether lançou o USAT. Trata-se de um ativo onshore desenvolvido especificamente para atender às exigências federais dos Estados Unidos.
Essa estratégia dividida — utilizando o USDT para “shadow banking” global e o USAT para operações regulamentadas nos Estados Unidos — representa uma transição central na tentativa da Tether de alcançar o status de “grande demais para falir”.
Apesar dos obstáculos, o USDT detém uma fatia de 60,5% do mercado. Por enquanto, a Tether segue líder em liquidez, mesmo diante do avanço das barreiras regulatórias internacionais.
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