O Banco Central da Inglaterra (BoE) decidiu nesta quinta-feira (5) pela manutenção da taxa básica de juros em 3,75% ao ano, em linha com as expectativas do mercado. A decisão ocorre diante da avaliação de que a inflação no Reino Unido deve continuar recuando em direção à meta de 2%, embora ainda permaneça acima desse nível.
Em comunicado, o banco central britânico destacou que adota uma postura cautelosa diante do risco de uma nova aceleração inflacionária e de um mercado de trabalho ainda pressionado no país.
“O risco de uma maior persistência da inflação tem se tornado menos pronunciado, embora alguns riscos para a inflação decorrentes da demanda mais fraca e de um mercado de trabalho menos favorável permaneçam”, declarou o banco.
Segundo o BoE, uma nova redução nos juros é provável após o corte realizado em dezembro, mas a decisão dependerá das perspectivas para a inflação.
Em mais uma decisão dividida, a manutenção dos juros foi aprovada por cinco votos a quatro no Comitê de Política Monetária. Quatro membros defenderam um corte de 0,25 ponto percentual, o que levaria a taxa para 3,5%.
A decisão marca a primeira reunião de política monetária do ano e ocorre após o corte realizado em dezembro. Segundo o Banco da Inglaterra, os avanços recentes da atividade econômica exigem atenção adicional para evitar novas pressões sobre os preços.
O BoE afirmou que o grau de restrição da política monetária diminuiu, uma vez que a taxa básica de juros foi reduzida em 1,5 ponto percentual desde agosto de 2024.
“Com base nas evidências atuais, é provável que a taxa de juros seja reduzida novamente”, afirmou o banco. Segundo a autoridade monetária, as decisões sobre novos afrouxamentos da política monetária tendem a se tornar mais equilibradas.
A extensão e o momento de novos cortes dependerão da evolução das perspectivas para a inflação, e o banco reconhece que decisões sobre um maior afrouxamento monetário “serão mais difíceis de tomar”.
O Comitê de Política Monetária avaliou que os riscos inflacionários seguem relevantes. Ao mesmo tempo, a taxa de desemprego permanece elevada, em 5,1% nos três meses encerrados em novembro, o maior nível em quase cinco anos.
Esse cenário reforça o dilema entre estimular a economia e preservar a estabilidade de preços.
Além dos indicadores domésticos, o BoE monitora os possíveis impactos da proposta orçamentária apresentada em novembro pela ministra das Finanças, Rachel Reeves, que trouxe mudanças relevantes na estratégia fiscal do governo britânico.
O banco também acompanha os desdobramentos da escalada da guerra tarifária global iniciada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, fator que adiciona volatilidade às projeções de inflação e crescimento.
De acordo com o BoE, embora a inflação medida pelo índice de preços ao consumidor (CPI) ainda esteja acima da meta de 2%, ela deve recuar e se aproximar do objetivo a partir de abril.
Essa trajetória é atribuída à evolução dos preços de energia, inclusive como resultado das medidas previstas no orçamento de 2025.
A inflação britânica foi de 3,4% em dezembro, o nível mais elevado entre os países do G-7.
O banco revisou suas projeções e agora estima inflação de 1,7% em um ano, abaixo da previsão de 2,5% divulgada em novembro. Para o horizonte de três anos, a estimativa é de inflação em 2%, ante 2,1% na projeção anterior.
A expectativa para o crescimento dos salários é de cerca de 3,25%, patamar considerado consistente com a meta de inflação de 2%.
O Banco da Inglaterra havia reduzido os juros pela última vez em dezembro, após pausas em setembro e novembro. Desde o início do ciclo de afrouxamento monetário, iniciado no ano anterior, a autoridade monetária já promoveu seis cortes, todos de 25 pontos-base.
A manutenção da taxa neste encontro indica que o banco seguirá avaliando os dados de inflação, atividade econômica e mercado de trabalho antes de avançar em novos ajustes ao longo de 2026.
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