uOtros estudos ajudam a entender por que a hipótese de vida antiga em Marte continua sendo investigada — Foto: Unsplash
Uma análise recente de amostras coletadas em Marte trouxe novas perguntas sobre o passado do planeta. Pesquisadores que estudam dados do robô Curiosity não conseguiram explicar, por processos não biológicos conhecidos, a origem de parte da matéria orgânica encontrada em rochas marcianas, o que mantém aberta a hipótese de que formas de vida possam ter existido ali.
Em março de 2025, o laboratório químico do Curiosity identificou pequenas quantidades de decano, undecano e dodecano em uma amostra de rocha da Cratera Gale. Segundo os pesquisadores, essas moléculas podem ser fragmentos de ácidos graxos preservados em uma antiga rocha sedimentar.
Na Terra, ácidos graxos são produzidos principalmente por organismos vivos, embora também possam surgir por processos geológicos sem participação biológica.
Para entender a origem do material, os cientistas analisaram hipóteses conhecidas, como a chegada de compostos orgânicos trazidos por meteoritos. O estudo, publicado em 4 de fevereiro na revista científica Astrobiology, concluiu que esses mecanismos não explicam a quantidade de substâncias detectadas.
A equipe combinou experimentos de laboratório, simulações matemáticas e dados coletados pelo robô para reconstruir o histórico da rocha ao longo de cerca de 80 milhões de anos, período estimado em que ela ficou exposta à radiação cósmica. A estimativa indica que a quantidade original de material orgânico pode ter sido maior do que aquela normalmente gerada por processos não biológicos conhecidos.
Diante desses resultados, os pesquisadores consideram plausível a hipótese de que organismos vivos possam ter contribuído para a formação dessas moléculas em algum momento do passado do planeta.
Outros estudos ajudam a entender por que a hipótese de vida antiga em Marte continua sendo investigada. Pesquisas recentes analisaram formações geológicas no Valles Marineris, o maior sistema de cânions do planeta, e encontraram sinais de que a região já abrigou grandes volumes de água.
Imagens de alta resolução captadas por sondas da Nasa e da Agência Espacial Europeia (ESA) revelaram redes de canais ramificados semelhantes a rios, que descem de áreas elevadas e terminam em grandes depósitos de sedimentos. Essas formações têm características típicas de deltas, estruturas criadas quando rios deságuam em mares ou grandes lagos.
Segundo os pesquisadores, essas evidências indicam que a água pode ter fluído de forma contínua e encontrado corpos de água estáveis, um cenário considerado importante para a possibilidade de vida no passado.
Embora os dados não confirmem a existência de organismos em Marte, os resultados ampliam o conjunto de evidências que sustentam a hipótese de que o planeta já teve condições ambientais diferentes das atuais. Novas análises e futuras missões devem aprofundar essa investigação.


