A ONEVC acaba de fechar a captação de seu terceiro fundo, levantando US$ 50 milhões para investir na mesma tese do fundo anterior: um portfólio mais concentrado (para os padrões da indústria) e foco no ‘early stage’.
A gestora de venture capital começou as conversas para a captação em meados do ano passado, com a ideia inicial de levantar US$ 40 milhões.
“Como a demanda foi boa, subimos para um ‘hard cap’ de US$ 50 milhões. E mesmo assim a oferta foi 25% oversubscribed,” disse Bruno Yoshimura, o general partner da ONEVC.
Segundo ele, um terço do fundo veio de um único investidor americano: um instituto que gere um endowment com mais de US$ 30 bi. Outro grande investidor foi a gestora brasileira Spectra, que colocou cerca de 10% do total.
“Também tivemos alguns corporate ventures e family offices da Europa e da Ásia,” disse ele.
A ONEVC levantou seu primeiro fundo em 2018: captou US$ 30 milhões que foram investidos em 20 empresas. Três anos depois, captou outros US$ 35 milhões para o segundo fundo, também já 100% alocado.
No fundo II, a ONEVC foi um dos primeiros cheques para startups como a Enter, a legaltech avaliada em R$ 2 bilhões pelo The Founders Fund, e a Tako, uma ‘HR Tech’ que automatiza a folha de pagamentos.
A gestora também investiu na Caju, de benefícios flexíveis; e na fintech de conta e investimentos globais Nomad.
O novo fundo, de US$ 50 milhões, já fez três investimentos, todos relacionados com inteligência artificial, um tema cada vez mais onipresente no mercado.
O primeiro deles foi a FlyMedia, uma startup que cria influenciadores digitais, personagens e conteúdos para as redes sociais com inteligência artificial.
“A tese deles é que a próxima gigante de conteúdo vai ser feita com personagens feitos com AI, que são multi idiomas e orientados por tecnologia. E por serem criados com AI, esses avatares podem ser usados dentro e fora do Youtube. No futuro, eles podem virar um tutor de matemática ou ensinar finanças, por exemplo. Tem várias possibilidades,” disse Bruno.
Os outros dois investimentos ainda não foram divulgados, mas um deles é no segmento de ferramentas para desenvolvedores, e o outro é no setor de saúde.
Rodrigo Cartolano — um sócio da ONEVC que acaba de se tornar um general partner da gestora, dividindo a função com Bruno — disse que o novo fundo não é necessariamente focado em AI e tem uma tese generalista.
“Pelo tamanho do mercado, temos que olhar tudo. Mas o que fazemos é seguir os founders, porque nesse estágio em que investimos o mais importante são os empreendedores. E no momento atual do mercado, tudo que tem sido feito é com AI,” disse ele. “80% do nosso portfólio é B2B e fintech, mas nos últimos 18 meses quase tudo que fizemos foi com AI.”
O boom recente de AI tem feito os valuations dessas empresas inflarem. Rodrigo disse que, na média, uma startup que nasce com AI em seu core tem um valuation duas vezes maior que uma startup sem essa tecnologia.
“Essas companhias têm um potencial de escalar mais rápido do que uma empresa sem AI, até porque elas estão conseguindo entrar mais facilmente nas enterprises, porque tem uma pressão nas grandes empresas para implementar soluções de AI,” disse ele. “O valuation é mais alto, mas o tamanho das saídas também tende a ser maior, o que justifica o valor maior das entradas.”
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