O secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, afirmou nesta terça-feira, 10 de fevereiro, que a economia americana poderá registrar um crescimento nominal de 6% em 2026, como parte da estratégia do governo de Donald Trump de reduzir déficits fiscais via crescimento econômico e desregulamentação.

A previsão foi feita durante participação de Bessent no CEO Conference, evento organizado pelo BTG Pactual, no qual o secretário americano interagiu com André Esteves, chairman do banco, por videoconferência.

Ao longo de sua participação, Bessent detalhou a estratégia dos EUA para reduzir déficits fiscais via crescimento econômico e desregulamentação, enfatizando o dólar forte e a atração de investimento estrangeiro direto como armas para a reindustrialização.

O secretário americano também citou a América Latina como parceira estratégica crucial, destacando apoio à Argentina e a intervenção na Venezuela. Ele afirmou estar otimista com ganhos de produtividade impulsionados pela IA e a liderança do novo presidente do Fed, Kevin Walsh, recém-indicado por Trump para o posto.

A previsão do crescimento nominal da economia americana de 6% em 2026, um número jamais citado anteriormente, foi feita ao explicar uma “solução de crescimento” do governo Trump que, segundo ele, prevê um crescimento não inflacionário.

Bessent disse que a estratégia é centrada em três pilares focando em independência energética e redução de custos: 3% de crescimento real do PIB, 3% de déficit fiscal até o fim do mandato de Trump via meta ambiciosa de redução (em 2025, o déficit foi de 5,4%), e venda de quase 3 milhões de barris de petróleo extras por dia.

“Em vez de aumentar impostos, os EUA devem focar no crescimento para reduzir o déficit do governo”, disse Bessent.  “Ao restringir os gastos e com a alavancagem dos indicadores, via desregulamentação e estímulo à oferta, não ficaria surpreso se os Estados Unidos apresentassem crescimento nominal acima de 6% este ano, e isso resolverá muitos problemas.”

Ao ser questionado por Esteves como vê o equilíbrio entre o papel do dólar como reserva global e forças contrárias, como aumento das reservas de ouro por bancos centrais e a ascensão das stablecoins, Bessent disse que o dólar forte exige fundamentos para atrair investimentos, como certeza regulatória e dominância energética.

“A suposta ‘fraqueza do dólar’ reflete outras economias antes ‘adormecidas’, agora mais ativas, alterando dinâmicas cambiais”, afirmou, acrescentando que a política de tarifas do governo Trump visa a reindustrialização. “Embora a arrecadação tarifária tenda a cair, o objetivo é atrair investimento direto externo e construir novas fábricas, elevando a base tributária e reequilibrando a economia.”

Bessent também abordou que os ganhos de produtividade virão da IA e qual será o efeito na economia e no mercado de trabalho. Segundo ele, a oportunidade é comparável a revoluções tecnológicas passadas.

“Em vez de eliminar empregos, vamos realocar trabalhadores para funções de maior valor, como atendimento, viagens, etc”, disse. “É crucial formar uma geração nativa em IA”, acrescentou, destacando a importância da "mentalidade aberta" do novo líder do Federal Reserve (o banco central dos EUA), Kevin Walsh, para lidar com ganhos de produtividade da IA e garantir uma “transição suave”.

Oportunidade histórica

O secretário do Tesouro disse que a retomada de uma relação estreita com a América Latina é “a oportunidade de uma geração” para os EUA, com potencial de parcerias em recursos naturais e integração econômica.

“O apoio econômico à Argentina na eleição legislativa, que favoreceu o presidente Javier Milei, e a pressão militar sobre a Venezuela demonstram nosso compromisso com estabilidade”, afirmou. “Países como Chile e Bolívia buscam reintegração e estamos prontos para apoiar essa tendência positiva.”

Ele também citou a aproximação de Trump com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Segundo ele, "após um início acidentado”, os dois líderes estabeleceram uma “boa relação pessoal”.

Bessent criticou a burocracia da União Europeia, afirmando que “hoje é mais fácil fazer negócios na China do que na Europa”.

E ressaltou que a relação com o governo chinês é de rivalidade, mas sem ruptura: “Com a China, buscamos competição justa nas áreas de semicondutores e farmacêutica, assegurando a soberania dos EUA”, avisou. “O objetivo é reduzir dependência em setores estratégicos.”

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