Entenda as diferentes opções para investir, levando em conta o risco oferecido por algumas empresas — Foto: Gerd Altmann/Pixabay
“Dinheiro não dá em árvore.” Essa é uma das primeiras lições de educação financeira transmitidas de geração em geração. A frase, apesar de simples, ajuda a compreender um conceito central do mercado financeiro: o dinheiro tem custo. E entender esse custo é essencial para compreender o que a reclassificação de risco das empresas brasileiras significa para os investidores.
Dizer que o dinheiro não nasce naturalmente significa reconhecer que ele sempre envolve esforço, tempo ou risco. Para as famílias, esse custo costuma estar relacionado à força de trabalho. Para as empresas, pode assumir outra forma: a necessidade de captar recursos de terceiros para financiar suas atividades.
Imagine uma empresa que pretende expandir sua produção, mas não possui recursos suficientes em caixa. Ao avaliar linhas de crédito bancário, percebe que os juros são elevados. Como alternativa, pode buscar recursos diretamente no mercado financeiro, captando dinheiro de pessoas físicas e jurídicas superavitárias — ou seja, investidores. Essa decisão faz parte do planejamento financeiro da empresa, que busca reduzir o custo do capital e viabilizar seus projetos.
Essa captação ocorre por meio da emissão de títulos de dívida, que funcionam como contratos de empréstimo. Neles, a empresa define prazo, remuneração e condições de pagamento. Ao adquirir esses títulos, o investidor assume o papel de credor e espera receber juros como compensação pelo risco assumido.
Do lado do investidor, a decisão envolve o chamado custo de oportunidade: avaliar se a remuneração oferecida compensa o risco em comparação com outras alternativas disponíveis no mercado. Essa análise é central no planejamento financeiro pessoal e costuma considerar critérios como segurança, liquidez e rentabilidade.
Com o amadurecimento do mercado de crédito privado, surgiram mecanismos para auxiliar essa avaliação. Um dos mais relevantes é a classificação de risco, também conhecida como rating. Essa classificação é realizada por instituições especializadas e indica a capacidade de a empresa honrar seus compromissos financeiros. De forma simplificada, quanto maior o risco percebido, menor o rating e maior tende a ser a remuneração exigida pelos investidores.
Esses títulos podem ser negociados entre investidores no chamado mercado secundário. Nesse ambiente, a reclassificação de risco das empresas brasileiras passa a ter impacto direto sobre os preços dos ativos. Quando uma empresa tem seu risco reduzido, seus títulos se tornam mais valiosos, pois passam a oferecer uma remuneração elevada para um nível de risco menor. Já uma piora no rating pode provocar desvalorização, uma vez que o retorno se torna insuficiente para o novo grau de risco percebido.
Para o investidor, isso significa que a reclassificação de risco pode representar tanto oportunidades quanto desafios. Por esse motivo, compreender a relação entre risco, retorno e objetivos financeiros é fundamental.
Por fim, é importante distinguir investimentos em títulos de dívida e investimentos em ações. Nos títulos, o investidor atua como credor; nas ações, como sócio. Cada modalidade possui características próprias e desempenha um papel diferente dentro de uma estratégia de planejamento financeiro bem estruturada. Entender essas diferenças é essencial para investir de forma consciente. Afinal, como ensina a máxima inicial, dinheiro não surge por acaso — ele sempre envolve escolhas.
Renan Massoto é planejador financeiro pessoal e possui a certificação CFP® (Certified Financial Planner), concedida pela Planejar - Associação Brasileira de Planejamento Financeiro. E-mail: renan.massoto@gmail.com.
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