O preço do Bitcoin recua novamente após uma tentativa de recuperação frustrada desde 6 de fevereiro. O BTC apresenta queda de quase 3% em 24 horas e cerca de 38% desde meados de janeiro. Após subir de US$ 60.100 para US$ 72.100, os compradores perderam o controle e o movimento de alta perdeu força.
Sinais técnicos já alertavam antecipadamente e dados on-chain agora confirmam o aumento da pressão vendedora. A principal dúvida é: US$ 63 mil conseguirá conter uma nova onda de queda ou um movimento de correção mais intenso se aproxima?
Após a liquidação observada em janeiro, o Bitcoin formou um bear flag no gráfico diário. O padrão ocorre quando o preço cai rapidamente e depois reage com uma alta fraca em faixa estreita, geralmente indicando continuidade, não recuperação. Desde meados de janeiro, o BTC caiu aproximadamente 38% até próximo de US$ 60.130 e depois avançou para US$ 72.200 no início de fevereiro, formando a bandeira.
Em 10 de fevereiro, o preço rompeu a linha inferior dessa estrutura, confirmando a falha do bear flag. Indicadores de momento já vinham alertando esse movimento. O Índice de Força Relativa (RSI) mede o equilíbrio entre compra e venda: quando o RSI sobe enquanto o preço enfraquece, aponta para pressão vendedora oculta.
Entre 24 de novembro e 8 de fevereiro, o Bitcoin registrou topos descendentes, enquanto o RSI exibiu topos levemente ascendentes.
Esse cenário gerou uma divergência baixista oculta, aumentando o risco de correção após a tentativa de recuperação. Assim que o movimento de alta perdeu força, a pressão vendedora voltou a prevalecer. A retração ocorreu à medida que o RSI sinalizava divergência, levando à quebra do padrão por exaustão técnica. No entanto, apenas gráficos não explicam toda a movimentação; o comportamento on-chain aponta quem impulsiona esse cenário.
Os dados on-chain revelam que investidores de longo prazo estão reduzindo exposição. Uma métrica relevante é o Hodler Net Position Change, que acompanha carteiras com moedas há mais de 155 dias. Ela indica se detentores de médio a longo prazo estão acumulando ou vendendo em janelas de 30 dias.
Em 9 de fevereiro, esse indicador estava próximo de +8.142 BTC. Já em 10 de fevereiro, recuou para cerca de +5.292 BTC, representando um declínio de 35%. Essa diminuição indica que esses investidores estão desacelerando compras e reduzindo confiança.
A pressão vendedora também aumenta de maneira discreta. Outro indicador importante é o Long-Term Holder Net Position Change, que se concentra em carteiras que costumam reter ativos por mais de um ano. Em 9 de fevereiro, esse dado estava em torno de −157.757 BTC (resultado negativo indica vendas contínuas). Já em 10 de fevereiro, avançou para −169.186 BTC, alta de 7%. Isso sinaliza que essas carteiras de longo prazo aceleram as vendas.
Quando investidores de médio prazo, assim como de longo prazo, reduzem posições, o risco de recuo aumenta. As HODL Waves também confirmam essa mudança. Essa ferramenta exibe como o suprimento do Bitcoin está distribuído conforme o tempo de posse. O grupo de 24 horas representa operadores com perfil de curto prazo, que tendem a reagir de forma precipitada a oscilações.
Entre 7 e 10 de fevereiro, a participação desse grupo saltou de aproximadamente 0,72% para 1,02%. Trata-se de um crescimento expressivo no suprimento de negociação ágil. Esses investidores costumam liquidar posições rapidamente durante quedas, tornando suportes ainda mais frágeis.
Enquanto investidores de perfil mais forte vendem, operadores de curto prazo (capital especulativo) absorvem o suprimento. Essa dinâmica enfraquece a estabilidade do mercado.
Para buscar possíveis regiões de suporte, investidores analisam a UTXO Realized Price Distribution (URPD). Esse indicador mostra onde foram realizadas aquisições de BTC e revela faixas de preço em que se concentram grandes volumes de custo médio. Essas áreas tendem a servir como suporte, já que investidores defendem o ponto de entrada.
No cenário atual, o grupo mais expressivo está próximo de US$ 63.100. Aproximadamente 1,3% da oferta total do Bitcoin está neste intervalo, o que faz de US$ 63 mil uma importante zona de demanda. No gráfico, o BTC já perdeu o patamar de US$ 67.350 e segue em direção a essa faixa.
Se US$ 63.000 se mantiver (US$ 63.240 no gráfico de preços), compradores podem tentar estabilizar o mercado, já que muitos investidores ainda estão próximos do ponto de equilíbrio. Caso perca esse patamar, o risco aumenta significativamente. Uma falha pode levar grandes grupos ao prejuízo e desencadear vendas aceleradas. Abaixo de US$ 63.000, o próximo grande suporte fica próximo de US$ 57.740, e uma pressão ainda maior poderia abrir caminho para níveis próximos de US$ 42.510.
Esse movimento representaria uma reinicialização completa da estrutura recente. Em relação à valorização, a recuperação segue desafiadora. O Bitcoin precisa primeiro recuperar os US$ 72.130 para reduzir a pressão. Só um avanço acima de US$ 79.290 pode enfraquecer a tendência de baixa mais ampla. Até lá, as altas tendem a ser apenas movimentos corretivos.
No momento desta reportagem, o Bitcoin está entre a diminuição da convicção e o aumento da especulação. Enquanto a falha do padrão de baixa determinou o cenário, a venda dos investidores está reforçando essa direção. Tudo agora depende de US$ 63 mil, linha de defesa mais evidente do mercado.
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