O Ibovespa, principal índice da Bolsa de Valores brasileira (B3), devolveu os ganhos da véspera, encerrando o pregão desta terça-feira (10) em leve queda de 0,17%, aos 185.929,33 pontos. Apesar do recuo, o índice segue próximo das máximas históricas e mantém um desempenho robusto em 2026, com valorização acumulada de 15,39%.
Segundo analistas, o desempenho foi comprometido pela cautela do mercado à espera da divulgação do payroll, o relatório oficial de empregos dos Estados Unidos, considerado um dos termômetros mais importantes para calibrar os próximos passos do Federal Reserve (Fed).
No Brasil, a influência veio do IPCA, cuja leitura reforçou a percepção de que a inflação permanece controlada, sustentando a expectativa de que o Banco Central (BC) possa iniciar um novo ciclo de redução da Selic em março.
Em destaque no Ibovespa, as ações da Petrobras tiveram ganhos moderados de 0,50% (ON) e de 0,08% (PN), enquanto a Vale terminou o dia em queda de 0,30%.
No setor financeiro, o Itaú fechou em alta de 0,23% (PN) e o Santander Unit liderou os ganhos do setor, com alta de 1,53%. Já o Banco do Brasil recuou 0,08% (ON) e o Bradesco avançou 0,05% (PN).
Entre as maiores altas da sessão, a Braskem disparou 8,27%, seguida pela MRV, que ganhou 4,18%. Na ponta oposta, a Eneva registrou perda de 9,66%, figurando entre as maiores pressões negativas do dia.
No câmbio, o dólar fechou em leve alta de 0,17% ante o real, abaixo do patamar de R$ 5,20 pela segunda sessão seguida, em meio à expectativa pelo payroll e o CPI dos Estados Unidos.
No cenário internacional, o grande destaque do dia é o payroll de janeiro, que deve mexer com as apostas para os próximos passos do Federal Reserve. Um número mais fraco reforça a narrativa de corte de juros já em março, enquanto uma surpresa positiva tende a empurrar essa expectativa para mais adiante.
A mediana de 25 estimativas compiladas pelo Projeções Broadcast aponta para a criação de 67 mil vagas, levemente acima das 50 mil abertas em dezembro. O intervalo das projeções, porém, é amplo: vai de 30 mil a 135 mil postos, sinalizando alto grau de incerteza.
Entre as grandes instituições, o Citi está no topo do otimismo e prevê 135 mil empregos, enquanto o JPMorgan fala em 75 mil, o Wells Fargo em 80 mil e o TD Securities em 45 mil.
A agenda internacional também traz os números de estoques de petróleo do Departamento de Energia (DoE), com expectativa de queda de 400 mil barris.
Em Washington, o presidente Donald Trump recebe o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, encontro acompanhado de perto por investidores atentos aos desdobramentos geopolíticos e aos reflexos sobre o preço da commodity.
No Brasil, destaque para a participação do presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, no CEO Conference, evento do BTG Pactual, quando investidores buscarão pistas sobre a intensidade do esperado ciclo de cortes da Selic após a leitura do IPCA de janeiro frustrar parte do mercado na abertura dos dados.
Outro possível vetor de volatilidade é a nova rodada da pesquisa Genial/Quaest. Sem a presença de Tarcísio de Freitas, o levantamento pode servir como teste importante para medir o fôlego de uma eventual candidatura de Flávio Bolsonaro.
Em Brasília, a Câmara dos Deputados aprovou na noite de ontem o regime de urgência para o projeto que cria o Regime de Tributação Especial para Serviços de Data Center. Segundo o presidente da Casa, Hugo Motta, a votação deve ficar para depois do Carnaval.
A proposta, apresentada pelo líder do governo, José Guimarães (PT), espelha a medida provisória destinada a atrair investimentos no setor e tem impacto estimado em cerca de R$ 7 bilhões em três anos, sendo R$ 5,2 bilhões concentrados em 2026.
As Bolsas da Europa operam mistas, com viés negativo, enquanto investidores mantêm o foco no payroll dos Estados Unidos e resultados corporativos na região.
Na Ásia, os índices fecharam sem direção única, com investidores cautelosos antes do payroll dos EUA e processando dados da inflação chinesa.
Na China, a inflação ao consumidor desacelerou além do esperado e os preços ao produtor seguiram em deflação, sinalizando fraqueza da demanda interna.
O índice Shenzhen caiu 0,35%, enquanto o Xangai fechou em alta de 0,09% e o Hang Seng de Hong Kong subiu 0,31%.
Em Nova York, os índices futuros buscam a estabilidade, enquanto investidores aguardam o payroll de janeiro, dado que pode ajustar as apostas sobre o ritmo de cortes de juros nos Estados Unidos.
Confira os principais índices do mercado:
Nos EUA, todas as atenções se voltam para o payroll, considerado o dado mais importante da semana. O consenso aponta para a criação de cerca de 70 mil vagas em janeiro, uma aceleração moderada em relação aos 50 mil postos abertos em dezembro e próxima do que analistas veem como nível de equilíbrio do mercado de trabalho.
A taxa de desemprego deve permanecer em 4,4%. Os números podem redefinir as apostas sobre quando o Federal Reserve começará a cortar juros.
Ao longo do dia, investidores também acompanham falas de dirigentes da autoridade monetária: Jeffrey Schmid discursa às 12h10, Michelle Bowman participa de evento às 12h15 e Beth Hammack fala às 18h.
Na Ásia, a China trouxe um sinal de alerta adicional. A inflação ao consumidor perdeu força logo no início do ano, após ter atingido em dezembro o nível mais alto em três anos.
O CPI avançou 0,2% em janeiro, bem abaixo da alta de 0,8% do mês anterior. O movimento foi puxado principalmente pelos alimentos, que passaram de uma elevação de 1,1% para uma queda de 0,7% na comparação anual, um retrato das dificuldades da demanda interna.
No Brasil, o foco se concentra na participação do presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, na CEO Conference 2026 do BTG Pactual, às 9h. Após ruídos recentes na leitura da inflação, o mercado tentará extrair qualquer pista sobre os próximos passos da política monetária.
No mesmo evento do BTG, o senador Flávio Bolsonaro concede entrevista às 15h, ampliando o peso político do encontro.
A agenda doméstica ainda inclui a divulgação de dados de inflação ao produtor, o fluxo cambial semanal e novas pesquisas eleitorais, ingredientes que podem adicionar volatilidade aos ativos ao longo do pregão.
Em Brasília, as atenções também se voltam para os desdobramentos das investigações envolvendo o Banco Master. O presidente da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado, Renan Calheiros, tem reuniões marcadas com o presidente do STF, Edson Fachin, às 18h30, e com o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, às 17h, em busca de apoio do grupo de trabalho que acompanha o caso.
Na terça-feira, o colegiado aprovou convites para depoimentos de Gabriel Galípolo, Daniel Vorcaro, Augusto Lima e representantes do BRB. Em novo posicionamento, o Banco de Brasília voltou a negar a informação, divulgada pela imprensa, sobre uma suposta venda de R$ 5 bilhões em ativos.
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