Governador de SP critica desfile da Acadêmicos de Niterói sobre o presidente e questiona suposto uso político do CarnavalGovernador de SP critica desfile da Acadêmicos de Niterói sobre o presidente e questiona suposto uso político do Carnaval

“Aos amigos, tudo; aos inimigos, a lei”, diz Tarcísio sobre Lula

2026/02/17 07:53
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O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), afirmou nesta 2ª feira (16.fev.2026) que o desfile da escola Acadêmicos de Niterói em homenagem ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) levanta questionamentos sobre isonomia na aplicação da legislação eleitoral.

“Aos amigos, tudo; aos inimigos, a lei”, disse o governador em vídeo publicado em seu perfil no X. 

A escola estreou no Grupo Especial no domingo (15.fev) com o enredo “Do alto do mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil”. O desfile contou com referências a campanhas petistas pós-redemocratização, incluindo trecho de jingle histórico do partido no samba-enredo, além de estrelas vermelhas em referência ao PT (Partido dos Trabalhadores). O presidente entrou na avenida e acompanhou a apresentação.

Segundo Tarcísio, é preciso discutir se há pesos diferentes na interpretação das normas eleitorais. O governador citou decisões do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) que tornaram inelegível o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) por abuso de poder político e uso indevido dos meios de comunicação em 2022. Bolsonaro foi condenado pela Corte Eleitoral por reunião com embaixadores no Palácio da Alvorada, em julho daquele ano, e por uso da estrutura pública nas comemorações do bicentenário da Independência, em 7 de Setembro.

“Nas eleições de 22, o Brasil viu uma postura muito dura em relação ao Bolsonaro…Pois bem, se o desfile de ontem não foi propaganda antecipada, o que será então? Por que não haverá o mesmo rigor agora? E não havendo, quanto elástica serão as interpretações a partir desse momento?”, afirmou Tarcísio.

O governador também afirmou que o Estado brasileiro estaria capturado pelo PT e disse que o desfile da Acadêmicos de Niterói deixou de retratar alguns assuntos relacionados a Lula, citando como exemplo o deficit dos Correios e exibindo imagens produzidas com IA (Inteligência Artificial).

“O Estado sobre o PT tá capturado. Cuida das pessoas e não constrói as bases para o desenvolvimento consistente. Aliás, todos sentimos falta do desfile de algumas alas. Por exemplo, a ala dos Correios falidos e o Lula não”, disse Tarcísio.

Assista ao vídeo publicado por Tarcísio (3min38s):

DEFESA

Aliados do presidente afirmam que o desfile integra manifestação cultural tradicional do Carnaval e não configura propaganda eleitoral. Argumentam que não houve pedido explícito de voto nem uso da estrutura pública para fins de campanha.

O Tribunal Superior Eleitoral tem até março de 2026 para definir as resoluções que disciplinarão o pleito deste ano.

O desfile da Acadêmicos de Niterói foi o 1º de uma escola de samba em homenagem a um presidente da República em exercício do mandato.

LULA NA SAPUCAÍ

A Acadêmicos de Niterói estreou no Grupo Especial do Carnaval do Rio com um samba-enredo sobre Lula: “Do alto do mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil”.

O mulungu é uma árvore nativa do Brasil, encontrada principalmente na Caatinga e na Mata Atlântica. Seu nome científico é Erythrina velutina. Pode atingir até 15 metros de altura. A planta produz flores vermelhas de agosto a janeiro, período em que fica sem folhas. A origem do nome vem do tupi “mussungú” ou “muzungú”, com possíveis raízes etimológicas africanas relacionadas ao significado de “pandeiro”.

Fundada em 2018, a escola participou de só 3 carnavais antes de vencer a Série Ouro (antigo Grupo de Acesso), em 2025, e ser alçada ao grupo de elite do carnaval do Rio. Competirá com agremiações tradicionais do Rio de Janeiro, como Mangueira, Portela e Salgueiro. 

Copyright Alex Ferro/Riotur – 31.jan.2026
Na imagem, ensaio técnico da Acadêmicos de Niterói em 31 de janeiro de 2026

Ouça o samba-enredo da Acadêmicos de Niterói (6min30s):

OPOSIÇÃO CRITICA

A oposição criticou o desfile. Eis algumas manifestações:

  • Michelle Bolsonaro, ex-primeira-dama e presidente do PL Mulher: “Escárnio que expõe a fé cristã”;
  • Sergio Moro (União Brasil-PR), senador: “Faltou o carro da Odebrecht“;
  • Padre Kelmon:Lula cuspiu na cara da Justiça”;
  • Eduardo Bolsonaro (PL-SP), ex-deputado: compara ato de 7 de Setembro de 2022 com desfile;
  • Damares Alves (Republicanos-DF), senadora: “Ridicularizar evangélicos é inadmissível”;
  • Romeu Zema (Novo), governador de Minas Gerais: “Levarei esse crime para a Justiça”.

O deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) disse nesta 2ª feira (16.fev) que vai acionar o Ministério Público contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e a escola Acadêmicos de Niterói. Já o senador e pré-candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), afirmou que mais uma ação contra o desfile será protocolada “rapidamente” no TSE (Tribunal Superior Eleitoral).

Antes do desfile, partidos haviam entrado com ações na Justiça:

  • Novo – o partido entrou com uma representação no TCU para pedir que a Acadêmicos de Niterói não recebesse o repasse de R$ 1 milhão da Embratur (Agência Brasileira de Promoção Internacional do Turismo). A área técnica da Corte de Contas se manifestou a favor de barrar os recursos. A decisão final coube ao relator do caso, Aroldo Cedraz, que negou o pedido para suspender o repasse;
  • Damares Alves e Kim Kataguiri – a senadora (Republicanos-DF) e o deputado federal (União Brasil-SP) moveram ações contra o presidente por causa do enredo da agremiação. Ambas foram rejeitadas pela Justiça Federal;
  • Novo e Kim Kataguiri – ingressaram com um pedido de proibição do desfile. A liminar foi negada pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral). A Corte acompanhou o voto da relatora, Estella Aranha, que foi indicada por Lula ao cargo.

A escolha do enredo não foi a única controvérsia protagonizada pela agremiação fluminense. O Poder360 mostrou, em 5 de fevereiro, que o presidente da escola, Wallace Palhares, foi demitido do cargo de assistente da Alerj (Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro).


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