Nos últimos dias, o Brasil viu de tudo no Caso Master. As festinhas privês de Daniel Vorcaro; os encontros com figurões do legislativo, ministros e o presidente Lula; as relações íntimas com membros do Supremo Tribunal Federal (STF) como José Antonio Dias Toffoli e Alexandre de Moraes e o grupo mafioso denominado “A Turma” que servia como uma milícia privada para intimidar, ameaçar e machucar quem estivesse em seu caminho.
Tivemos uma dimensão dos tentáculos de Vorcaro, principalmente pelo trabalho de Lauro Jardim e Malu Gaspar, colunistas de O Globo. As mensagens de WhatsApp entre ele e sua ex-namorada, Marta Graeff, que sempre respondia com um “Wow!”, revelaram um Brasil comprado em todas as esferas de poder. Mas, segundo as investigações da Polícia Federal, isso não é nem 10% dos 100 aparelhos apreendidos que ainda precisam ser periciados.
O relator do caso, o ministro do STF André Mendonça, ainda vai se deparar com muitas informações que serão extraídas dos telefones e HDs dos investigados. E um dos mais aguardados nem é o de Vorcaro, mas sim do homem que era o seu operador, o homem que fazia os pagamentos por meio de fundos em cascata. Trata-se de Fabiano Zettel, seu cunhado e atual companheiro de cela. Wow!
A julgar pelas mensagens até agora reveladas, era Zettel quem providenciava compras de imóveis para “amigos” que faziam favores a Vorcaro. Era Zettel quem pagava propinas ou mesadas – Wow! – para os milicianos da “A Turma”. Sob o manto de investidor da gestora Moriah Asset e do posto de pastor de igreja, Zettel fez diversos investimentos, no mínimo, estranhos.
Um dos mais famosos é o de seu Fundo de Investimento em Participação (FIP) Leal, que investia no fundo Arleen, que comprou a participação no resort Tayayá, da família de Dias Toffoli. Um baita negócio imobiliário – Wow! – que somente um Midas como ele poderia enxergar. Mas o Midas tinha outros negócios que precisam ser descortinados. Negócios com políticos, juízes, agentes de órgãos reguladores e jornalistas.
O Fundo Leal era dono do Arleen, mas também tinha outros dois: o FIP B10 e o FIP Duke, com investimentos e conexões estranhas. O Duke tinha como representante legal Ramon Pessoa Dantas, um dos principais investigados na Operação Carbono Oculto, que investiga as conexões do PCC com a Faria Lima.
Zettel, pelo que mostram as mensagens, era também um operador da mídia. Pagava propina para jornalistas por meio do “leão de chácara” conhecido como Luiz Phillipi Machado de Moares Mourão, o Sícário. Zettel também chegou a investir em participações em veículos de comunicação no mercado, mas nunca anunciou quais seriam. Talvez seja a hora de sabermos, nem que seja pelas mensagens de celular que devem surgir por aí.
Esse Brasil, de fato, não é para amadores. Wow!


