Mauro Vieira, ministro das Relações Exteriores, disse que o pedido de visita de Bolsonaro “jamais tramitou” pelo ItamaratyMauro Vieira, ministro das Relações Exteriores, disse que o pedido de visita de Bolsonaro “jamais tramitou” pelo Itamaraty

Vieira fala em ingerência em visita de assessor de Trump

2026/03/13 04:46
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O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, afirmou que o pedido de visita de Darren Beattie, assessor do governo de Donald Trump (Partido Republicano), ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) pode configurar “ingerência nos assuntos internos do Estado brasileiro” por ser ano eleitoral. A informação foi prestada ao ministro do STF (Supremo Tribunal Federal), Alexandre de Moraes, nesta 5ª feira (12.mar.2026).

Cumpre observar, por oportuno, que a visita de um funcionário de Estado estrangeiro a um ex-presidente da República em ano eleitoral pode configurar indevida ingerência nos assuntos internos do Estado brasileiro”, afirmou.

O ministro disse que o visto do funcionário foi concedido com base em um pedido enviado em 6 de março pelo Departamento de Estado dos Estados Unidos ao Consulado-Geral do Brasil em Washington. O governo norte-americano havia afirmado que o assessor iria ao Brasil para participar do Fórum Brasil-EUA de Minerais Críticos, marcado para 18 de março, na Amcham Brasil.

À época do referido pedido ao Consulado-Geral, não constava qualquer menção a eventual interesse do visitante em realizar encontros ou visitas não relacionadas aos objetivos oficialmente comunicados. Assim, o processamento e a concessão do visto ocorreram exclusivamente com base na justificativa então apresentada pelo Departamento de Estado”, escreveu Vieira.

O chanceler disse, ainda, que o pedido de visita a Bolsonaro “jamais tramitou” pelo Ministério das Relações Exteriores nem foi objeto de comunicação com o ministério. Segundo ele, a ida à Papudinhanão se enquadra nos objetivos oficialmente comunicados pelo Departamento de Estado”.

Vieira afirmou também que a Embaixada dos Estados Unidos em Brasília solicitou o agendamento de compromissos do assessor com o Itamaraty somente depois do pedido de encontro feito pela defesa de Bolsonaro.

De acordo com o ministro, a realização da visita foi comunicada pela embaixada em 10 de março. Foi informado que Beattie chegará à capital na tarde da próxima 2ª feira e seguirá para São Paulo na noite do dia seguinte. Ele voltará a Washington na noite de 4ª feira (18.mar).

ENTENDA

O ministro do STF, Alexandre de Moraes, solicitou que o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, informe se Darren Beattie, assessor do governo de Donald Trump (Republicano), possui agenda diplomática no Brasil. A decisão foi publicada na manhã desta 5ª feira. Eis a íntegra (PDF – 116 kB)

O despacho foi dado depois de a defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) pedir uma alteração na data de visita estabelecida por Moraes. O ministro tinha permitido a visita ao 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, conhecido como Papudinha, em 18 de março, das 8h às 10h. Os advogados solicitaram uma mudança para 16 de março, à tarde, ou 17 de março, pela manhã ou início da tarde. Essas datas estão fora do calendário regular de visitas da unidade prisional, realizadas às 4ª feiras e aos sábados.

A defesa argumentou que Beattie possui “rígida agenda diplomática” para solicitar a alteração. “Trata-se de funcionário de alto escalão do Departamento de Estado dos Estados Unidos, cujos compromissos internacionais são estruturados com antecedência e submetidos a rígida agenda diplomática, especialmente em deslocamentos internacionais de curta duração. Nessas circunstâncias, não há possibilidade concreta de extensão da permanência em Brasília para adequação à data fixada”, escreveram os advogados. Eis a íntegra do pedido (PDF – 1MB).

Beattie é assessor sênior para política em relação ao Brasil no Departamento de Estado dos Estados Unidos. O assessor norte-americano foi recentemente designado para o cargo no governo de Donald Trump (Partido Republicano). Beattie já criticou Alexandre de Moraes em ocasiões anteriores. Chamou o ministro, por exemplo, de “coração da perseguição” a Bolsonaro.

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