O Ibovespa, principal índice da Bolsa de Valores brasileira (B3), encerrou o pregão de sexta-feira (13) em queda de 0,91%, aos 177.653,31 pontos, pressionado pela cautela dos investidores diante da escalada das tensões no Oriente Médio com ameaças do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de ampliar ataques ao Irã.
No cenário doméstico, o fator que pressionou o desempenho foi o anúncio de reajuste no preço do diesel pela Petrobras. A estatal informou aumento de 11,6% no valor do combustível nas refinarias, equivalente a R$ 0,38 por litro, elevando o preço para R$ 3,65 por litro a partir deste sábado (14).
Segundo a presidente da companhia, Magda Chambriard, a decisão seguiu os critérios da política de preços da empresa, mesmo em um cenário de forte volatilidade do petróleo, sem interferência do governo no processo de definição do reajuste.
Os papéis de maior peso no índice também contribuíram para o baixo desempenho, as ações da Petrobras registraram queda de 0,54% (ON) e de 0,73% (PN) apesar da alta do petróleo no exterior. As ações da Vale recuaram 1,19%, também apesar da alta do minério de ferro no mercado chinês.
O setor financeiro também operou no vermelho: os papéis do Bradesco tiveram queda de até 2,06%, enquanto o Banco do Brasil recuou 1,73% e as ações do BTG Pactual caíram 1,76%.
Entre as poucas altas do dia estiveram SLC Agrícola, com avanço de 2,51%, seguida por BB Seguridade, que subiu 1,98%. Já entre as maiores quedas do pregão, destaque para Braskem, que despencou 6,97%.
No câmbio, o dólar fechou o dia em alta de 1,41% frente ao real, cotado R$ 5,31, em meio ao aumento da aversão ao risco global.
No cenário internacional, o conflito no Oriente Médio entra na terceira semana sem sinais de avanço diplomático e com risco crescente de escalada militar. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a ameaçar o Irã com novos ataques nos próximos dias, afastando as expectativas de um desfecho rápido para a guerra.
Segundo estimativas do Pentágono, a operação militar ainda pode durar entre quatro e seis semanas. A perspectiva de um confronto mais prolongado mantém o petróleo acima dos US$ 100 por barril e amplia a pressão sobre a inflação global justamente na semana em que diversas autoridades monetárias se reúnem para os definir juros.
O agravamento do cenário geopolítico aumenta os riscos inflacionários e pode levar bancos centrais a adotarem posturas mais cautelosas. Nos EUA, o Federal Reserve (Fed) também se reúne nesta super quarta. A expectativa de início do ciclo de cortes de juros, que antes era projetada para junho, já começa a ser empurrada para o quarto trimestre.
Outras autoridades monetárias relevantes, como o Banco Central Europeu (BCE), o Banco da Inglaterra (BoE), o Banco do Japão (BoJ) e o Banco Popular da China (PBoC), também podem adotar orientações mais duras (“hawkish”) diante da alta do petróleo.
No Brasil, o aumento do risco inflacionário global já começa a afetar as apostas para a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) sobre a taxa Selic, que também será divulgada na quarta-feira.
Até poucos dias atrás, o mercado estava praticamente convencido de que o Banco Central (BC) iniciaria o ciclo de flexibilização monetária com um corte de 0,5 ponto percentual. Agora, cresce a possibilidade de um ajuste mais moderado, ou até mesmo de uma pausa.
Na última sexta-feira (13), dois grandes bancos revisaram suas projeções para a Selic. O Itaú Unibanco reduziu sua estimativa de corte inicial de 0,5 ponto para 0,25 ponto percentual, citando a incerteza gerada pela disparada do petróleo. Além disso, o banco avalia que o Copom deve deixar claro que está pronto para interromper qualquer flexibilização caso os choques inflacionários se mostrem mais persistentes ou intensos do que o previsto.
O BNP Paribas também revisou seu cenário e passou a projetar um corte de apenas 0,25 ponto. Entre os fatores citados estão a inflação ainda elevada no setor de serviços e um mercado de trabalho que segue resiliente.
A escalada recente do petróleo também levou o UBS BB a revisar suas projeções para a inflação brasileira. O banco elevou a estimativa do IPCA de 2026 de 3,5% para 3,7%, após a surpresa com o índice de fevereiro, que subiu 0,70%.
Segundo os cálculos da instituição, o diesel tem peso relativamente pequeno no IPCA, o que limita o impacto direto das medidas anunciadas pelo governo para conter o preço do combustível.
O reajuste do diesel anunciado pela Petrobras na sexta-feira também deve ter efeito marginal sobre o índice. Ainda assim, o banco destaca que uma eventual alta de cerca de 10% no preço da gasolina poderia adicionar até 0,30 ponto percentual à inflação.
As Bolsas da Europa buscam recuperação, pressionadas pela guerra no Oriente Médio, que entra na terceira semana.
Investidores acompanham a alta do petróleo com interrupções no Estreito de Ormuz e os riscos de pressão sobre a inflação global.
Na Ásia, os mercados encerraram o pregão desta segunda-feira sem direção única, com o petróleo acima de US$ 100, impulsionado por ataques próximos ao Estreito de Ormuz em meio à guerra no Oriente Médio.
Investidores também repercutiram dados mais fortes da China no início do ano, mas mantiveram cautela diante dos riscos geopolíticos globais.
Em Nova York, os índices futuros avançam enquanto o petróleo reduz parte dos ganhos iniciais. Nos bastidores dos preços do petróleo, Donald Trump pressionou outros países a ajudar na reabertura do Estreito de Ormuz e disse que os EUA negociam com o Irã.
Confira os principais índices do mercado:
Nos EUA, além da decisão de política monetária, investidores aguardam a divulgação do índice de produção industrial, que pode oferecer novos sinais sobre o ritmo de atividade da economia americana.
No campo geopolítico, as atenções seguem voltadas para o Oriente Médio e para os riscos ao fluxo global de petróleo. Donald Trump, pediu neste domingo que países como China, França, Japão, Coreia do Sul e Reino Unido enviem navios de guerra para garantir a segurança do Estreito de Ormuz, uma das rotas marítimas mais importantes para o transporte de petróleo no mundo. Até o momento, porém, nenhum dos países consultados sinalizou apoio à iniciativa.
Em paralelo, Japão e Estados Unidos anunciaram um acordo de cooperação para lidar com possíveis interrupções no fornecimento de materiais considerados críticos para a indústria.
Em entrevista à CNBC, o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, afirmou que qualquer ação para conter os preços da commodity dependerá da duração do conflito. Ele descartou, por ora, uma intervenção direta nos mercados de petróleo, mesmo diante de um déficit global estimado entre 10 milhões e 14 milhões de barris.
Bessent também afirmou que os Estados Unidos têm permitido a passagem de petroleiros iranianos pelo Estreito de Ormuz, um dos principais corredores de transporte de petróleo do mundo. Segundo ele, Washington acredita que haverá uma “abertura natural” por parte do Irã e, neste momento, a prioridade é garantir o abastecimento global.
No Brasil, o destaque da agenda econômica desta segunda-feira é a divulgação do IBC-Br de janeiro pelo Banco Central do Brasil, considerado uma prévia do Produto Interno Bruto (PIB), que aumentou 0,8% em janeiro, abaixo do esperado.
No campo político, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, deve deixar o cargo ainda nesta semana para lançar sua pré-candidatura ao governo de São Paulo. A expectativa é que o atual secretário-executivo da pasta, Dario Durigan, assuma o comando do ministério.
Também nesta segunda-feira, a Receita Federal realiza uma coletiva de imprensa, às 10h, para anunciar as regras do Imposto de Renda de 2026.
No mercado de renda fixa, o Tesouro Nacional informou nesta manhã que cancelou os leilões de títulos prefixados e de NTN-B previstos para esta semana.
A instituição manterá apenas a oferta de Letras Financeiras do Tesouro (LFTs) no leilão programado para terça-feira (17) e anunciou operações de compra e venda de títulos públicos no mercado secundário.
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