Ibovespa tenta engrenar alta, segura os 180 mil — mas perde força com juros no radar
O Ibovespa até ensaiou uma recuperação mais firme nesta terça-feira (17), voltou a se apoiar na marca dos 180 mil pontos, mas acabou desacelerando ao longo da tarde em meio à virada dos juros futuros e novas incertezas no radar doméstico. No fim do dia, o índice fechou em alta de 0,30%, aos 180.409,73 pontos.
A sessão chegou a indicar um movimento mais consistente, com máxima de 182.800 pontos, mas a perda de tração refletiu a cautela dos investidores às vésperas das decisões de juros no Brasil e nos Estados Unidos.
O giro financeiro somou R$ 27,1 bilhões. Apesar do segundo dia seguido de recuperação, o índice ainda recua 4,44% no mês, enquanto no ano acumula alta de 11,97%.
O desempenho positivo do índice voltou a ser sustentado por nomes ligados ao petróleo, enquanto bancos limitaram o avanço.
Petrobras (PETR3) subiu 1,22% e Petrobras (PETR4) avançou 1,76%, acompanhando a valorização do Brent, que permaneceu acima de US$ 100 por barril.
Já o setor financeiro operou pressionado, com Itaú (ITUB4) caindo 0,67% e Santander (SANB11) recuando 1,18%. Vale (VALE3) teve variação marginal, com alta de 0,15%.
Entre os destaques do dia, Natura (NTCO3) disparou 8,46% após resultados, seguida por CSN (CSNA3) (+5,14%), Prio (PRIO3) (+4,83%) e Braskem (BRKM5) (+4,37%). Na ponta negativa, Magazine Luiza (MGLU3) caiu 8,13%, devolvendo parte dos ganhos recentes.
O pano de fundo segue sendo o mesmo: petróleo e geopolítica.
Apesar da melhora no humor global, a commodity voltou a subir. O Brent avançou 3,2%, a US$ 103, indicando que o risco ainda não desapareceu.
Para Bruno Perri, economista-chefe da Forum Investimentos, há uma leitura mais construtiva, ainda que frágil: “A melhora de perspectiva em relação à duração do conflito no Oriente Médio, com declarações de que as ações podem durar apenas mais algumas semanas, ajuda a reduzir parte do prêmio de risco nos mercados.”
Ao mesmo tempo, o fluxo no Estreito de Ormuz começa a dar sinais de normalização, ainda que de forma limitada, o que ajuda a conter movimentos mais extremos no petróleo.
Se o exterior trouxe algum alívio, o cenário doméstico voltou a pesar na reta final do pregão.
A curva de juros futuros inverteu o sinal e passou a subir, em meio à reprecificação das expectativas para o Copom. A aposta majoritária passou a ser de um corte menor da Selic, de 15% para 14,75%, e não mais para 14,50%.
Além disso, um novo risco entrou no radar: a possibilidade de uma greve nacional de caminhoneiros, o que aumentou a cautela dos investidores.
Segundo Pedro Moreira, sócio da ONE Investimentos:
“O mercado segue de olho no petróleo e no Estreito de Ormuz, mas agora também começa a incorporar novos riscos domésticos, o que ajuda a explicar a perda de força do índice ao longo da tarde.”
Em Nova York, os principais índices fecharam em leve alta:
• Dow Jones subiu 0,10%, aos 38.845 pontos
• S&P 500 avançou 0,25%, aos 5.254 pontos
• Nasdaq ganhou 0,47%, aos 16.402 pontos
Os mercados globais seguem posicionados para a chamada “superquarta”, com decisões simultâneas do Federal Reserve e do Copom.
Segundo Ian Lopes, economista da Valor Investimentos:
“O mercado tem apostado mais em vias diplomáticas para o conflito, mas o impacto sobre o petróleo e a inflação ainda mantém os investidores cautelosos.”
Com esse pano de fundo, o Ibovespa até consegue sustentar o patamar dos 180 mil pontos, mas ainda sem força suficiente para uma recuperação mais consistente diante do cenário global e doméstico mais sensível.
Com Estadão Conteúdo


