Tribunal exige regras de governança antes de liberar recursos federais em projeto liderado pelo governo de São PauloTribunal exige regras de governança antes de liberar recursos federais em projeto liderado pelo governo de São Paulo

TCU suspende repasses de R$ 2,6 bi para túnel Santos-Guarujá

2026/03/19 05:04
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O TCU (Tribunal de Contas da União) determinou nesta 4ª feira (18.mar.2026) a suspensão cautelar de repasses federais para a PPP (Parceria Público-Privada) do túnel entre Santos e Guarujá. A decisão afeta cerca de R$ 2,6 bilhões que seriam aportados pela APS (Autoridade Portuária de Santos) no projeto liderado pelo governo de São Paulo.

O relator do caso, Bruno Dantas, entendeu que ainda não há instrumento jurídico adequado que assegure o controle e a fiscalização dos recursos da União. Por isso, determinou que a APS se abstenha de realizar qualquer aporte até nova deliberação do tribunal. Leia a íntegra da decisão do TCU (PDF – 510 kB).

O TCU deu prazo de 30 dias para que a autoridade portuária apresente, em conjunto com o Estado de São Paulo, um acordo formal de governança. O documento deverá definir regras de acompanhamento, cronograma financeiro e prestação de contas, de modo a garantir transparência no uso dos recursos públicos.

O tribunal também rejeitou o pedido da APS para integrar o contrato de concessão como “interveniente-anuente”. Segundo o relator, a medida poderia gerar insegurança jurídica, alterar a divisão de riscos do contrato e abrir espaço para disputas sobre reequilíbrio econômico-financeiro.

Como alternativa, o TCU indicou mecanismos como convênios de delegação de competências e contas vinculadas para assegurar o controle dos recursos federais sem alterar o contrato principal da PPP.

A decisão ainda esclarece que a eventual contratação de um organismo de inspeção acreditada não é obrigatória, mas pode reduzir riscos técnicos e jurídicos na execução do projeto.

O túnel

Trata-se da maior obra de infraestrutura do Novo PAC. O contrato de concessão terá duração de 30 anos, no modelo de PPP.

A travessia entre as duas cidades, que hoje leva até 18 minutos de balsa ou 1 hora pela rodovia Cônego Domênico Rangoni, será feita em cerca de 5 minutos pelo túnel.

A obra, esperada há mais de 100 anos, será a 1ª estrutura do tipo no Brasil e a maior da América Latina quando concluída.

A estrutura terá:

  • 3 faixas de rolamento por sentido, sendo uma adaptada para o futuro VLT (Veículo Leve sobre Trilhos);
  • ciclovia e passarela para pedestres;
  • galeria técnica para redes de serviços públicos (água, energia, telecomunicações).

Como funcionará a construção

O túnel será erguido pelo método de túnel imerso, consagrado em países como Holanda, Japão e China, mas inédito no Brasil. Esse processo difere de um túnel escavado em rocha, como os de metrô. Em vez disso, utiliza módulos de concreto pré-moldados, construídos em terra e depois posicionados no fundo do canal.

O projeto é do tipo “greenfield” –ou seja, desenvolvido sem infraestrutura pré-existente, baseado em estimativas de demanda futuras.

QUEM FARÁ A OBRA

A portuguesa Mota-Engil, controlada em 32,41% pela CCCC (China Communications Construction Company), venceu o certame.

Sem experiência em túneis imersos, a empresa contará com a expertise da chinesa, responsável por projetos como os túneis submarinos da Baía de Dalian e da ligação entre Shenzhen e Zhongshan, bem como a ponte-túnel Hong Kong-Zhuhai-Macau.

O Shenzhen-Zhongshan Link é considerado o mais longo e largo túnel imerso contínuo do mundo: 5.035 metros de extensão, construído em seções de 80.000 toneladas e instalado com equipamentos inteligentes de transporte e posicionamento.

Já a ponte-túnel Hong Kong-Zhuhai-Macau combina pontes e um túnel imerso de 6.700 metros, que o torna o trecho submerso mais extenso já construído em um projeto do tipo ponte-túnel.

A Mota-Engil ofereceu um desconto de 0,50% sobre a contraprestação pública anual de R$ 438 milhões prevista no edital. O repasse estatal ao projeto será feito a partir do início das operações e contará com recursos do Estado de São Paulo e da União. Eis a íntegra do edital (PDF – 699 kB).

A outra proponente foi a Acciona, que já conduz a obra da Linha 6-Laranja do Metrô de São Paulo. A empresa espanhola não ofereceu desconto sobre a contraprestação.

O baixo número de interessados e os lances conservadores já eram esperados. Especialistas atribuem isso ao elevado volume de investimentos necessários e à complexidade técnica da obra.

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