Numa carta que acaba de ser publicada, a Absoluto conversou com CEOs de algumas de suas investidas para mostrar como a presença de um acionista de referência funciona como um “eixo de sustentação para a visão de longo prazo,” permitindo tomar decisões difíceis.
Um dos casos é o da Rede D’Or, a operadora de saúde fundada pela família que ainda está à frente do negócio, principalmente na figura de seu CEO, Paulo Moll.
“O amplo conhecimento de mercado acumulado pela família ao longo de décadas foi potencializado pela atração de alguns dos principais talentos do setor de saúde,” diz a carta.
“Esses profissionais são motivados justamente pela oportunidade de integrar um grupo que busca estar na fronteira da medicina e da gestão hospitalar, […] fortalecem a organização e ampliam sua atratividade para novos talentos, desencadeando um ciclo virtuoso.”
Na carta, a Absoluto cita diversas decisões que a Rede D’Or tomou ao longo dos anos que, para ela, não eram óbvias e só foram possíveis pelo fato da empresa ter um acionista de referência.
Essas decisões incluem a venda do Grupo Labs ao Fleury em 2011, marcando a saída da Rede D’Or de laboratórios; a migração para modelos de remuneração alternativos ao fee for service, que era predominante no passado mas hoje responde por uma parcela pequena da receita; a aquisição da SulAmérica em 2022, com a entrada no segmento de seguros; e a joint venture com o Bradesco em 2024.
Sobre a aquisição da SulAmerica, Moll disse que entre o IPO da Rede D’Or e o ano de 2022, a família percebeu que o “tabuleiro” do setor estava mudando e passou a entender que o setor caminhava para uma configuração com maior alinhamento entre operadoras e prestadores.
A aquisição não foi aplaudida de imediato pelo mercado, e chegou a gerar questionamentos entre investidores.
Mas passados mais de três anos, “não apenas os riscos iniciais foram endereçados, como também já é possível observar sinergias relevantes de custos e despesas, além de melhorias operacionais decorrentes da integração,” escreveu a Absoluto. “Além disso, o grupo destravou oportunidades de incremento de receita a partir de iniciativas de cross-sell e passou a contar com maior previsibilidade em seu plano de expansão.”
Sobre a JV com o Bradesco, a Absoluto disse que ela só foi possível por conta da rede de relacionamento dos controladores.
“A JV é um casamento e, portanto, foi fundamental ter a segurança que vem de décadas de relacionamento — os presidentes dos conselhos da Rede D’Or e do Bradesco se conhecem há mais de 30 anos,” disse a gestora, referindo-se a Jorge Moll e Luiz Carlos Trabuco. “O momento também reflete uma convergência de interesses: de um lado, o Bradesco com interesse crescente em participar do desenvolvimento de infraestrutura hospitalar; de outro, a Rede D’Or ampliando sua capacidade de expansão com parceiros estratégicos.”
A Absoluto diz que a transação foi um alinhamento estratégico com potencial relevante de geração de valor ao longo do tempo. “Com o Bradesco alinhado economicamente nos projetos hospitalares, os empreendimentos da joint venture tendem a apresentar menor risco de execução e ramp-up mais acelerado.”
Para a gestora, o exemplo da Rede D’Or mostra como a presença de um acionista de referência traz mais clareza estratégica — pelo conhecimento acumulado e convicção do caminho a ser seguido.
Esse direcionamento é determinante para impedir que as companhias façam movimentos impulsionadas por pressão de terceiros, como acontece com empresas com um horizonte mais curto.
Moll disse na conversa que uma parte relevante dos recursos da família é gerida de forma conjunta para apoiar a empresa caso seja necessário.
“Esses recursos podem ser um diferencial para executar movimentos estratégicos quando surgirem oportunidades. E, naturalmente, se enxergarmos nossa ação a preços atrativos, podemos continuar aumentando nossa posição.”
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