Morreu neste domingo (18.jan.2026), aos 73 anos, o ex-ministro (1952-2026), que comandou os ministérios da Defesa e da Segurança Pública, no governo de Michel Temer (MDB), entre e do Desenvolvimento Agrário, no 1º mandato de Fernando Henrique Cardoso (PSDB). Era presidente do Ibram (Instituto Brasileiro de Mineração) desde 2022.
Jungmann estava internado no Hospital DF Star, em Brasília, e tratava de um câncer no pâncreas. Nascido em Recife (PE), deixa sua mulher e 2 filhos.
Foi diagnosticado com a doença no 2º semestre de 2024. Nas últimas semanas, estava em casa recebendo tratamento paliativo. No fim de semana, voltou ao hospital. Ainda não há informações sobre o velório.
Durante a ditadura militar, foi filiado ao MDB (Movimento Democrático Brasileiro), que era de oposição ao regime. Durante a redemocratização, migrou para o PCB (Partido Comunista Brasileiro), conhecido na época como Partidão. Em 1992, ajudou a fundar o PPS (Partido Popular Socialista), que se tornou o Cidadania em 2019. Jungmann esteve na legenda até 2018.
Durante sua carreira política, assumiu diversos cargos públicos. Iniciou como secretário de Planejamento, de 1990 a 1991, no governo de Miguel Arraes (PSB). Recebeu o convite de FHC para assumir o cargo de presidente do Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis). Depois foi para o ministério extraordinário de Política Fundiária, criada pelo governo tucano em resposta ao Massacre de Eldorado do Carajás. A pasta foi tornada permanente e foi rebatizada de Desenvolvimento Agrário, onde ficou de 1999 a 2002.
Foi deputado federal por 3 mandatos (2002, 2006 e 2014), filiado ao MDB (para onde teve breve volta) e depois ao PPS. Foi presidente de algumas comissões da Câmara, como Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado. Foi convidado pelo ex-presidente Michel Temer a comandar o Ministério da Defesa, de 2016 a 2018. Sua atuação prévia na Congresso e sua posição crítica ao governo de Dilma Rousseff (PT) o gabaritaram a assumir o ministério da Segurança Pública, desmembrado por Temer do Ministério da Justiça. Ficou à frente da pasta de fevereiro de 2018 a janeiro de 2019. Como ministro, ajudou na articulação do Susp (Sistema Único de Segurança Pública), aprovado em 2018, e defendido pelo atual governo para ser constitucionalizado, na PEC da Segurança.
Seu último cargo público foi o Ibram, uma organização privada, sem fins lucrativos, que representa cerca de 300 empresas e instituições do setor de mineração. Em entrevista ao Poder360 em junho de 2025, Jungmann disse que a demanda global por minerais triplicará com a alta do uso de baterias e outros equipamentos associados à energia renovável. “A mineração precisa ser mais intensa no Brasil”, afirmou na época. Desde que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump (Partido Republicano), intensificou ações internacionais em prol de aumentar a exploração norte-americana de minerais críticos…
Assista à íntegra da entrevista (38min29s):
O Ibram publicou uma nota (leia a íntegra no final do texto) neste domingo (18.jan) em que comunica a morte de seu presidente “com imenso pesar”. E diz que “Jungmann será lembrado por sua competência, visão estratégica, capacidade de articulação e pelo legado de diálogo e ética que deixa não apenas na mineração, mas em toda a vida pública brasileira”.
O grupo empresarial Lide também publicou nota de pesar. Jungmann era head do Lide Mineração. “Ao longo de sua trajetória, contribuiu para o fortalecimento e desenvolvimento estratégico do setor mineral brasileiro. Sua visão, capacidade de articulação e espírito público deixam um legado inestimável para a política, a economia e a sociedade brasileira. Manifestamos nossa solidariedade aos familiares, amigos e a todos que conviveram com Raul Jungmann, reconhecendo seu legado e dedicação ao interesse público”, diz o texto.
O Ministério da Justiça e Segurança Pública publicou divulgou um comunicado no fim da noite de domingo. “Jungmann prestou relevantes serviços ao Estado brasileiro e deixou importante contribuição à vida pública nacional. Neste momento de dor, o Ministério da Justiça e Segurança Pública manifesta solidariedade aos familiares, amigos e a todos os que conviveram com Raul Jungmann, expressando sinceras condolências”, diz o texto assinado pelo ministro Wellington César.
O Fórum Brasileiro de Segurança Pública manifestou “profundo pesar” pela morte de Jungmann.
Leia a íntegra da nota:
Leia a íntegra da nota do Ibram:
“Com imenso pesar, o Ibram (Instituto Brasileiro de Mineração) comunica o falecimento de Raul Belens Jungmann Pinto, diretor-presidente da instituição, ocorrido em 18 de janeiro de 2026, em Brasília. Em atenção a um desejo de Raul Jungmann, o velório ocorrerá em cerimônia reservada a familiares e amigos próximos.
Pernambucano, Raul Jungmann dedicou mais de cinco décadas à vida pública brasileira, atuando com integridade, espírito republicano e um compromisso inabalável com a democracia, o desenvolvimento sustentável e o diálogo.
Ao longo de sua trajetória, ocupou funções de grande relevância nacional, entre elas a presidência do Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis), três mandatos como deputado federal e quatro ministérios -Política Fundiária, Desenvolvimento Agrário, Defesa e Segurança Pública. Em 2022, assumiu a presidência do Ibram, liderando uma importante agenda de transformação do setor mineral, pautada pelos princípios ESG (Ambiental, Social e Governança) e pela defesa de uma mineração mais responsável e alinhada aos desafios do século 21.
Sob sua liderança, o Ibram fortaleceu seu protagonismo institucional e seu compromisso com a legalidade, a sustentabilidade, a inovação e o papel estratégico dos minerais na transição energética global.
Jungmann será lembrado por sua competência, visão estratégica, capacidade de articulação e pelo legado de diálogo e ética que deixa não apenas na mineração, mas em toda a vida pública brasileira.
Para Ana Sanches, presidente do Conselho Diretor do Ibram, Raul Jungmann foi um homem público de estatura singular, defensor firme da democracia e profundamente comprometido com o Brasil e com o interesse público. Segundo ela, à frente da Diretoria Executiva do Instituto, Jungmann conduziu a entidade por um período decisivo, fortalecendo o Ibram e beneficiando todo o setor mineral, período este marcado pelo diálogo, pela visão estratégica e pela integridade.
Seu legado constitui um marco na história do Brasil, do Ibram e da indústria da mineração.
Neste momento de profunda tristeza, o Ibram manifesta solidariedade à família, amigos e colegas de jornada, agradecendo por tudo que Raul Jungmann representou para o Brasil, ao setor mineral e ao Instituto.”


