O Bitcoin registrou uma queda histórica nesta sexta-feira (6 de fevereiro de 2026), caindo para US$ 64.500, seu menor valor em 15 meses. A maior criptomoeda do mundo acumula perdas de aproximadamente 50% desde sua máxima histórica de US$ 126 mil em outubro de 2025, e já desabou 24% apenas no ano de 2026.
Nas últimas 24 horas, o Bitcoin recuou 11,6%, enquanto a capitalização total do mercado de criptomoedas perdeu mais de US$ 266 bilhões. O Índice de Medo e Ganância atingiu apenas 9 pontos, sinalizando “medo extremo” — o pior nível em 42 meses, comparável ao colapso da Terra/LUNA em 2022.
A deterioração acelerada do mercado foi impulsionada por três fatores principais que se reforçam mutuamente:
Liquidações automáticas: Quando o Bitcoin rompeu suportes críticos próximos a US$ 81,9 mil e US$ 73 mil, após o vencimento de US$ 8,5 bilhões em opções no dia 30 de janeiro, houve liquidações em cascata de posições alavancadas. O interesse aberto em futuros caiu para US$ 21,96 bilhões, seu menor nível em 15 meses.
Saídas de ETFs: Os fundos negociados em bolsa (ETFs) de criptomoedas nos EUA registraram saídas de quase US$ 4 bilhões nos últimos três meses, sinalizando fuga de capital institucional.
Demanda fraca no mercado à vista: A combinação de sinais em cadeia em deterioração e aversão global ao risco criou um ambiente onde poucos compradores estão dispostos a sustentar os preços.
Além dos fatores técnicos, o mercado cripto enfrenta pressões macroeconômicas significativas. A nomeação de Kevin Warsh como possível presidente do Federal Reserve por Donald Trump pode manter os juros americanos em níveis elevados, reduzindo o apetite por ativos de risco como criptomoedas.
No front regulatório, o projeto de lei CLARITY, que buscava criar um marco regulatório favorável às criptomoedas nos EUA, permanece travado no Senado, aumentando as incertezas sobre o futuro do setor.
Paradoxalmente, apesar da queda de preços, o governo dos EUA mantém uma postura pró-criptomoedas: sancionou uma lei federal de respaldo, dissolveu equipes de aplicação regulatória no Departamento de Justiça e a SEC abandonou trabalhos de fiscalização.
A queda do Bitcoin não ocorre em isolamento. Ela reflete uma deterioração mais ampla do sentimento de risco global, impulsionada por tensões geopolíticas crescentes em 2026.
Segundo análises recentes, a geopolítica tornou-se o eixo central que reorganiza o ciclo econômico global e redefine as funções da política monetária e fiscal. O mundo enfrenta o que especialistas chamam de “interdependência instrumentalizada”, onde fluxos comerciais, investimentos, financiamento e acesso a tecnologia são cada vez mais usados como ferramentas geopolíticas.
A economia mundial deverá crescer apenas 3,1% em 2026 e 3% em 2027, em uma transição frágil marcada por:
Neste contexto de incerteza geopolítica e fragilidade econômica, ativos de risco como criptomoedas sofrem pressão, enquanto investidores buscam refúgio em ativos mais seguros.
Os analistas identificam níveis críticos de suporte para o Bitcoin:
Previsões pessimistas, como a da empresa de investimentos Stifel, sugerem que o Bitcoin poderia cair até US$ 38 mil, apontando uma nova tendência de criptomoedas seguirem mais de perto os preços do dólar americano.
Contratos na Polymarket indicam 82% de chance de o Bitcoin cair para US$ 65 mil em 2026, e 72% de chance de ficar abaixo de US$ 70 mil até 1º de março.
Enquanto o Bitcoin lidera a queda, as altcoins sofrem ainda mais. Ethereum continua estruturalmente mais fraco que o Bitcoin e pode ter desempenho inferior se a demanda por BTC não se recuperar. Historicamente, Ethereum raramente sustenta recuperações sem a liderança do Bitcoin.
Solana caiu 15,83% e XRP recuou 12,02%, refletindo uma migração de capital para ativos mais estáveis. A dominância do Bitcoin subiu para 58,1%, refletindo uma “busca por qualidade”, enquanto o Índice de Temporada das Altcoins caiu para 23/100, indicando performance inferior generalizada.
O mercado de criptomoedas mudou fundamentalmente de uma fase de expansão para preservação. Há menos movimentos verticais, livros de ofertas mais finos e quedas mais acentuadas quando o suporte falha.
As tendências de altcoins em fevereiro de 2026 provavelmente permanecerão fragmentadas, defensivas e altamente seletivas. A análise técnica favorece moedas com fluxo de caixa real, receita de protocolo ou demanda estrutural, em vez de ativos impulsionados por memes ou narrativas.
Apesar da turbulência, especialistas identificam algumas criptomoedas com potencial em fevereiro:
O mercado de criptomoedas enfrenta um período de extrema volatilidade, impulsionado por fatores técnicos, macroeconômicos e geopolíticos. A queda do Bitcoin para US$ 64.500 marca um ponto de inflexão importante, com o mercado testando suportes críticos.
A recuperação dependerá de renovado ímpeto de alta, retomada do controle pelos compradores e, crucialmente, de uma melhora no sentimento de risco global. Enquanto as tensões geopolíticas persistirem e a economia global permanecer frágil, as criptomoedas provavelmente continuarão sob pressão.
Investidores devem manter cautela e estar preparados para maior volatilidade nos próximos dias, enquanto o mercado busca encontrar um fundo sustentável.


