CPMI do INSS obteve dados bancários de janeiro de 2022 a janeiro de 2026; Flávio Dino suspendeu quebras de sigilo após divulgaçãoCPMI do INSS obteve dados bancários de janeiro de 2022 a janeiro de 2026; Flávio Dino suspendeu quebras de sigilo após divulgação

Lulinha movimentou R$ 19,5 milhões em 4 anos, mostram extratos

2026/03/06 11:16
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A quebra de sigilo bancário de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, revelou uma movimentação financeira de R$ 19,5 milhões de janeiro de 2022 a janeiro de 2026. Os dados foram obtidos pela CPMI (Comissão Parlamentar Mista de Inquérito) do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social), que investiga fraudes previdenciárias.

A investigação apura se Lulinha, 51 anos, filho mais velho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), recebeu valores de Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS, no esquema que ficou ganhou fama como “Farra do INSS”. 

A CPMI aprovou em 26 de fevereiro a quebra de sigilos fiscais, bancários e telemáticos (e-mails) de Lulinha. A medida permite acesso a movimentações financeiras que podem esclarecer a origem e o destino de recursos mencionados em mensagens interceptadas.

O relatório, ao qual o Poder360 teve acesso, detalha o fluxo financeiro de Fábio Luís. Nos 4 anos expostos, foram realizadas 1.531 operações bancárias no período. 

Durante esse período, Lulinha movimentou um total de R$ 19,5 milhões, valor que engloba entradas, saídas e transferências entre suas próprias contas. Os créditos totalizaram R$ 9,77 milhões e as retiradas totalizaram R$ 9,75 milhões.

Lulinha também recebeu 3 depósitos de Lula, que somaram R$ 721.000, em 2022 e 2023. Já em dezembro de 2023, no mesmo dia em que recebeu um desses depósitos, o filho do petista depositou um cheque de R$ 157.000 assinado por Paulo Tarcísio Okamotto, atual diretor do Instituto Lula. Entre os créditos identificados, são mostrados valores de uma empresa na qual sua mulher, Renata de Abreu Moreira, é sócia.

De acordo com os extratos, a maior parte dos créditos, R$ 4,4 milhões, é proveniente de resgates de fundos de investimento. Desse montante, R$ 1,2 milhão corresponde a consórcios, previdência, seguros e transações não identificadas.

transferências a donos de sítio em Atibaia

Também são mostradas transferências de Lulinha para ex-sócios, sendo 17 para Jonas Leite Suassuna Filho, que somam R$ 704.000, e outras 15 transações de janeiro de 2024 a outubro de 2025, para o ex-sócio Kalil Bittar —que somam R$ 750.000.

Suassuna Filho é dono do sítio em Atibaia (SP) que foi frequentado pelo presidente Lula. A propriedade rural mencionada foi o centro de um dos processos da Operação Lava Jato, que resultou em condenações de Lula —posteriormente anuladas pelo STF (Supremo Tribunal Federal). Kalil Bittar é irmão de Fernando Bittar, também um dos donos do síto.

Lula foi acusado e condenado por corrupção passiva e lavagem de dinheiro na 1ª e na 2ª Instâncias da Justiça Federal. A pena aplicada em maio de 2020 foi de 17 anos, 1 mês e 10 dias de prisão. O petista foi considerado culpado de receber vantagens indevidas das construtoras Odebrecht e OAS para uma obra de cerca de R$ 1 milhão que reformou o sítio em Atibaia. Em troca, segundo o processo, Lula ajudou de forma ilícita as empreiteiras a terem contratos com a Petrobras. O presidente sempre negou as acusações.

quebra de sigilo suspensa

Horas depois da divulgação dos dados, o ministro do STF , Flávio Dino, suspendeu todas as quebras de sigilo aprovadas pela CPMI na mesma votação que incluiu Lulinha.

Dino afirmou que, embora CPIs e CPMIs tenham poder para determinar a quebra de sigilo, ao exercer essa atribuição, assumem papel semelhante ao de um juiz. Por isso, devem observar os mesmos deveres de um magistrado, o que exige fundamentação técnica para cada investigado e votação caso a caso.

Antes da quebra de sigilo pedida pela CPMI do INSS, no entanto, o ministro André Mendonça, do STF, já havia autorizado, em janeiro, a pedido da Polícia Federal, a abertura dos dados bancários, fiscais e telemáticos de Lulinha.

OUTRO LADO

Mais cedo, nesta 5ª feira (5.mar.2026), a defesa de Lulinha afirmou que o vazamento de informações sobre movimentação de R$ 19,5 milhões ligadas a ele configura “crime grave”. Em nota, afirma que não teve acesso aos documentos divulgados.

Segundo a defesa: “Se ocorreu, o vazamento configura crime grave, que está sendo imediatamente comunicado a todas as autoridades competentes. Não pouparemos esforços para apurar e punir os responsáveis”.

A defesa afirmou ao Poder360 que vai comunicar o STF e a presidência do Congresso Nacional sobre o vazamento de informações da quebra de sigilo. 

Leia a íntegra da nota

“Após votação questionável sobre quebra de sigilo sem fundamentação individualizada (predicado de qualquer medida investigativa invasiva) e concessão de medida liminar reconhecendo a ilegalidade da quebra, a imprensa informou que teria acessado documentos sigilosos, no mesmo dia em que foram recebidos pela CPMI do INSS. 

“Se ocorreu, o vazamento configura crime grave, que está sendo imediatamente comunicado a todas as autoridades competentes. Não pouparemos esforços para apurar e punir os responsáveis. 

“Quanto às informações divulgadas, é impossível avaliarmos sua existência, veracidade ou detalhamento, uma vez que Fábio Luís e sua defesa não têm acesso nem aos documentos recebidos pela CPMI, nem aos que a imprensa alega ter recebido. No entanto, é gritante a ausência de menção a qualquer elemento ligado às fraudes do INSS, o alegado objeto investigativo da quebra de sigilo. 

“Ao publicizar os dados sigilosos, a imprensa cita apenas fontes de renda legais e legítimas: a LLF Tech Participações e a G4 Entretenimento e Tecnologia, empresas legítimas com atuação legal e declarada; e rendimentos de aplicações do próprio Fábio Luís Lula da Silva. Também estão sendo expostas movimentações específicas, dando destaque a transferências ligadas ao presidente Lula, que são adiantamento de legítima herança aos filhos do presidente, devolução de custos arcados por Fábio Luís da época emergencial em que Lula esteve ilegalmente preso, ou de empréstimo à L.I.L.S. Palestras, da qual Fábio Luís possui cotas recebidas por herança. 

“Também foram destacados: pagamentos à Jonas Leite Suassuna Filho (pagamentos de aluguel referente à casa em São Paulo onde Fábio Luís residia) e à Kalil Bittar (pagamento por cotas dele da empresa G4, após seu afastamento da sociedade).

“Todos os movimentos e bens são registrados e declarados ao fisco, resultados de atuação legítima, ou mesmo de recebimento da herança de sua mãe, Dona Marisa, falecida em um contexto de perseguição política e midiática muito semelhante com o atual. 

“Essas informações parciais demonstram novamente uma total ausência de envolvimento de Fábio Luís com as fraudes do INSS, o que força o questionamento sobre a legitimidade da devassa e linchamento públicos, abastecidos por ato criminoso de vazamento de documentos. 

“Quanto à forma como a informação foi publicizada, com a citação da soma de movimentações, é essencial esclarecer que o dado é irrelevante, pois a ‘soma de movimentações’ em Relatórios de Informação Financeira não é retrato de valores líquidos  possuídos ou recebidos pelas contas relatadas. Um mesmo valor pode ser registrado seis ou mais vezes no relatório como ‘movimento’ (recebimento, envio de conta corrente para conta investimento, aplicação, retorno para conta, retirada etc.), de forma que a ‘soma de movimentações’ excede multiplamente valores efetivamente existentes, especialmente ao longo de anos. Por esse motivo, Relatórios de Inteligência Financeira são analisados com atenção às transações específicas, não às somas de movimentações. 

“Finalmente, apontamos que o vazamento das informações sigilosas que não apontaram nenhum vínculo com as fraudes do INSS são a abominável concretização dos temores legítimos de que “investigações” podem ser meros disfarces para manobras de interesse político, ao atropelo dos limites legais e constitucionais que deveriam ser impostos no devido processo legal.”

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